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O ciclo da vida

Colunista: Leonardo Farah

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Escrevo estas linhas hoje com o coração um pouco mais acelerado que o habitual. Não apenas pelo café, mas por uma reflexão pessoal profunda: minha esposa está grávida novamente. Após quase 10 anos da nossa última gestação e já com três filhos em casa, me vejo redescobrindo o milagre da vida. Essa “pausa” de uma década me permitiu olhar para a nossa profissão com lentes muito mais nítidas sobre o impacto real do nosso trabalho.

Como profissionais de Educação Física, muitas vezes focamos no “corpo pronto”. Mas o nosso verdadeiro poder reside na continuidade. Nossa intervenção não começa na academia, ela começa no útero.

A ciência já nos mostra que o exercício durante a gestação não é apenas sobre o bem-estar da mãe. É o primeiro estímulo que esse “ser humaninho” recebe. Quando cuidamos de uma gestante, estamos modulando o ambiente epigenético daquela criança. O movimento libera miocinas e hormônios que atravessam a placenta, preparando o sistema cardiovascular e metabólico do bebê antes mesmo de ele respirar o ar do mundo externo.

Após o nascimento, entramos na fase do estímulo psicomotor. Aqui, o profissional de Educação Física atua como um arquiteto do movimento. Cada estímulo, desde o engatinhar, o equilíbrio, a coordenação fina é um tijolo na construção de um repertório motor sólido.

Nossa missão é garantir que essa criança tenha alfabetização física. Uma criança que se sente competente ao se movimentar é um adolescente que não foge da aula de Educação Física e, consequentemente, um adulto que terá muito mais aderência ao treinamento.

O que percebo agora, vivendo essa quarta experiência de paternidade, é que a nossa intervenção como profissionais vai além da técnica; ela molda a cultura familiar. Quando ensinamos uma gestante e acompanhamos o desenvolvimento de seu filho, estamos transformando o hábito de uma casa inteira.

Se queremos um mundo com menos doenças crônicas e mais bem-estar, precisamos entender que somos agentes de saúde em cada fase do ciclo vital. Que essa nova vida que chega em minha casa, e as tantas que passam pelas mãos de vocês em suas clínicas e estúdios, seja o lembrete de que não vendemos apenas “treino”, vendemos uma trajetória de vida mais rica e saudável.

O movimento é a nossa primeira linguagem. Que possamos ajudar nossos alunos (e nossos filhos) a falá-la com fluência para o resto da vida.

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