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Prescrição de treinamento sem diagnóstico

Colunista: Mauro Guiselini

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É muito comum a seguinte situação, que é muito provável que já aconteceu com você ou alguém do seu relacionamento: “recebi um diagnóstico e não fiquei seguro, fui procurar uma segunda e até mesmo uma terceira opinião”. Não raro, na área da saúde, o paciente, não contente com os resultados da consulta e recomendações do tratamento, vai em busca de outros profissionais para ter certeza da conduta recomendada. Algum tempo atrás fui procurado por uma pessoa que desejava iniciar um programa de treinamento e no momento da anamnese fez o seguinte comentário: “fui ao médico, em função de alguns sintomas, no final da consulta ele me disse ‘minha recomendação para você é iniciar um programa de exercícios, não necessita de medicamentos ou mesmo outro tipo de tratamento’”. Não contente com a resposta, procurei um segundo médico… a resposta foi similar ao primeiro; inconformada, procurei uma terceira opinião: “recomendo você iniciar um programa de exercícios, inclui-lo como um hábito saudável”. Não tive escolha, foram três opiniões similares, daí o motivo de estar aqui, para iniciar um programa de exercícios tendo em vista a recomendação médica.

Realmente, este é um caso não muito frequente, porém seguramente os três médicos fizeram um bom diagnóstico, conseguiram identificar que o exercício físico seria o “medicamento” mais recomendado e o procedimento (a intervenção) seria um bom programa de treinamento, orientado por um bom profissional de Educação Física.

O que é diagnóstico

A palavra vem do grego diagnōstikos, que significa “capaz de distinguir”, derivado de diagignōskein, que quer dizer “discernir, distinguir, conhecer profundamente”. Esse verbo é formado por:

  • dia — “entre”, “através”, “por meio de”
  • gignōskein — “conhecer”, “aprender”

Essa raiz está ligada à ideia de conhecimento profundo e aparece em várias palavras relacionadas a saber e reconhecer. Em português, o termo chega por meio do latim diagnostic/dianostique, mantendo o sentido de identificar algo com base em sinais.

Porque o diagnóstico é importante

  • Permite entender a causa real de um problema.
  • Orienta decisões e soluções adequadas.
  • Evita erros, suposições e tratamentos inadequados.
  • É um processo estruturado que envolve observação, análise e interpretação.

Especificamente, na Educação Física, propicia a escolha mais adequada das estratégias de ensino (meios e métodos de treinamento), utilizadas nos Programas de Treinamento, para concretizar, de forma eficaz, as metas/objetivos dos alunos clientes e atletas, com foco na Capacidade Funcional relacionada à prevenção de doenças, manutenção da funcionalidade, reabilitação (no caso da abordagem terapêutica) e desempenho esportivo de lazer e alto rendimento.

O diagnóstico começou como um procedimento médico, mas hoje é aplicado em praticamente qualquer área que exige análise e tomada de decisão — da engenharia à educação, da psicologia à tecnologia, incluindo a Educação Física.

Aplicação do diagnóstico na Educação Física

A conduta dos Profissionais da Área da Saúde tem alguns pontos em comum: todos deveriam utilizar o diagnóstico para fazer a prescrição (fig.1) O termo vem do latim praescriptio, -onis, que significa “ato de escrever antes”, “indicação prévia”, “ordem estabelecida”. Essa raiz aparece em diferentes áreas, sempre com o sentido de fixar algo previamente.

Componentes do Diagnóstico

O Diagnóstico responde uma pergunta importante para o Profissional de Educação Física: como está o aluno/cliente hoje e o que deve ser prioritário, considerando as suas metas/objetivos. De acordo com Guiselini e Guiselini (2024) é estruturado de acordo com três componentes (fig.2).

Quando falamos em prescrição de treinamento, usamos o sentido geral da palavra: estabelecer um plano estruturado de exercícios (periodização), com estratégias bem definidas (princípios, meios, métodos de treinamento, intensidade, volume (séries/repetições) e metas/objetivos bem definidos.

Prescrever sem diagnóstico: os inconvenientes!

Não podemos nos esquecer que, em primeiro lugar, somos Profissionais da Área da Saúde, com atuação focada na prevenção de Doenças Hipocinéticas, aquelas com maior incidência ao sedentarismo e estilo de vida não saudável e na manutenção da Capacidade Funcional para atender as demandas impostas pelo ambiente. A estética (mudanças morfológicas relacionadas à diminuição de gordura e aumento da massa muscular) e melhor desempenho nas atividades esportivas de lazer e/ou alta performance também são consideradas, muito embora motivo de muita discussão com relação a saúde (Fig.3).

Sem as preciosas informações obtidas na Anamnese e Avaliação Funcional e Morfológica, a prescrição do treinamento corre sérios riscos, não atender as meta/objetivos e necessidades do aluno/cliente ou atleta (no caso dos esportes). Na prática, é o que, na grande maioria dos casos (academias e personal trainers) acontece… Observamos que  prescrição do treinamento geralmente leva em consideração somente as Metas/Objetivos dos alunos/clientes e a preferência das modalidades de exercícios de acordo com o interesse do gosto e interesse do aluno e mesmo o que a ciência recomenda como eficaz por exemplo, para emagrecer, aumentar a massa muscular, diminuir a incidência e efeito de algumas doenças que podem ser minimizadas por meio de exercícios! Não está totalmente errado, utiliza um critério, porém não é o mais adequado, sempre algo vai acontecer pela prática do exercício… se é bom ou ruim só a prática vai mostrar.

Nos próximos artigos vamos continuar com o tema.

Para saber mais

Recomendamos a leitura dos nossos livros:

Avaliação do Movimento: como diagnosticar deficits de movimento para a prevenção de lesões e prescrição de treinamento personalizado e para grupos. Guiselini, M e Guiselini, R. Editora Dialética, São Paulo. 2024

Exercício Físico na Longevidade Saudável: Fundamentos, Evidencias, Aplicação Prática. Guiselini, M e Guiselini, R. Instituto de Ensino e Pesquisa Mauro Guiselini, São Paulo. 2026 (no prelo)

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