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Colunista

Cristiano Santos

Designer web, fundador da Kamus. Empresa especializadas em projetos web de comunicação e vendas online. Consultor técnico dos sites L.A. Fitness Solutions, Congresso Carioca de Educação Física, Revista Empresário Fitness & Health e Vendas em Academias. Mais de 20 anos de experiência na criação de sites, blogs, lojas virtuais em mais de 250 projetos.

Você certamente já viu algum vídeo parecido com o do Instagram acima, e talvez até já tenha se sentido tentado a gravar algo para a sua academia.

Uma música chiclete, alguém apontando para o nada enquanto frases aparecem na tela e o convite final:

“Se quiser vir, vem”😁

A ‘trend‘ do momento invadiu o ‘feed‘ das academias, boxes de CrossFit e estúdios de personal training. Milhares de visualizações, centenas de comentários com “foguinhos” e a sensação de que a sua marca “está bombando”.

Mas, no final do dia, quando você fecha o caixa da academia, quantas dessas visualizações se transformaram em matrículas reais?

A resposta costuma ser dura:

quase nenhuma.

É aqui que precisamos ter um maior foco de atenção.

No mercado fitness atual, o planejamento é o novo treino, e o maior erro que um gestor pode cometer é confundir o barulho das redes sociais com uma presença digital estruturada.

O Instagram é o palco, mas não é a bilheteria

O grande problema das tendências virais como o “Se quiser vir vem” é que elas são desenhadas para o algoritmo, não para o seu cliente ideal.

Elas geram o que chamamos de “obesidade de métricas de vaidade”.

Quando você replica o que todo mundo está fazendo, abdica da sua diferenciação. Torna-se apenas mais um vídeo no ‘scroll‘ infinito do seu potencial aluno.

As redes sociais, principalmente o Instagram, têm um objetivo claro:

engajamento.

O objetivo da plataforma é manter o usuário lá dentro, consumindo conteúdo. O seu objetivo como gestor, porém, é vender, ou pelo menos deveria ser!

E é aqui que a estratégia de muitas academias falha por falta de processo.

Os dados não mentem: onde a venda realmente acontece?

Para deixar de lado o “achismo” e passar para a gestão baseada em dados, vamos olhar para o que o mercado diz.

Segundo a pesquisa E-Consumidor (Nuvemshop & Opinion Box), embora as redes sociais sejam a grande vitrine de descoberta, onde 65% dos consumidores descobrem marcas por lá, o jogo muda na hora de fechar o negócio.

O estudo revela que 43,9% dos consumidores preferem o site oficial da marca para encontrar informações úteis e de confiança antes de comprar.

O aluno pode até rir do seu vídeo, mas ele procura a solidez de um site próprio, com horários, tabelas de preços e termos de adesão claros, para validar a decisão de matrícula.

Sem um canal oficial de conversão, você está apenas entretendo o público para que ele acabe comprando na academia vizinha que tem um processo de vendas mais sério.

O custo invisível do improviso

Academia engajada nas redes sociais mas sem vendas online
Academia engajada nas redes sociais mas sem vendas online

Muitos gestores justificam o tempo gasto em dancinhas e tendências como “marketing de baixo custo“, e estão errados.

Esse é o custo do improviso.

Um estudo da Fundação Getulio Vargas (FGV) sobre engajamento de marca validou que postagens focadas em interação rápida e tendências do momento geram, de fato, picos de impressões. 

No entanto, esses picos não se traduzem em relacionamentos comerciais sustentáveis ou retenção de clientes.

Em termos práticos: você gasta o tempo da sua equipe de recepção ou de marketing planejando um vídeo viral que atrai curiosos de outra cidade, enquanto o seu site está desatualizado, o seu botão de WhatsApp demora 2 horas para responder, e o seu funil de vendas não tem rastreamento.

Ou seja: Você trocou a estratégia pela adrenalina do like!

A jornada de decisão do aluno

Antes de pisar na sua academia, o aluno percorre uma jornada invisível.

Ele tem uma dor (sedentarismo, estética, saúde…), procura uma solução, compara as opções e, finalmente, decide.

A estratégia “Se quiser vir vem” ignora todas essas etapas.

Ela pressupõe que o cliente está pronto para comprar apenas porque viu um vídeo engraçado.

O marketing de alta performance no fitness entende que a rede social é apenas a camada superficial.

A venda acontece na estrutura que vem depois:

  1. Atração – conteúdo de valor (não apenas dancinhas ou ‘trends’).
  2. Autoridade – um site profissional que responde às dúvidas técnicas do aluno.
  3. Conversão – um processo comercial que não depende da “sorte” de quem atende o Instagram.

Resumindo: planejamento é o novo treino

Se você quer que a sua academia seja vista como uma autoridade e não como uma conta de entretenimento, precisa parar de perseguir o algoritmo e começar a perseguir a eficiência.

O engajamento é volátil; a venda estruturada é previsível.

Use as redes sociais para atrair a atenção, mas capacite comercialmente a sua academia para levar esse interessado para um ambiente onde você controla a narrativa:

o seu site, o seu funil, o seu processo.

No próximo mês, quando vir uma nova ‘trend imperdível nas redes sociais, faça a pergunta de ouro:

isso vai gerar um contrato assinado ou apenas mais um emoji nos comentários? 

No mercado da REF&H, preferimos o dinheiro no caixa às palminhas na tela.

O planejamento é o seu melhor treino. Comece a praticá-lo hoje.

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