A longevidade saudável é construída por um conjunto de componentes bem definidos pela ciência. Na literatura especializada, é um tema que tem uma grande diversidade de componentes; as referências sustentam vários pilares da longevidade saudável.
Capacidade Funcional e treinamento
A capacidade funcional com foco na longevidade saudável é desenvolvida por meio de um programa de treinamento que utiliza os exercícios físicos, realizados com peso corporal, acessórios, aparelhos, na água e com auxílio da música, com métodos e estratégias elaborados para desenvolver/manter a funcionalidade e atender as demandas do ambiente. Assim, especificamente, com relação às capacidades funcionais, longevidade saudável tem relação direta com o desenvolvimento das capacidades biomotoras.
Mais recentemente o Colégio Americano de Medicina do Esporte (ACSM) redefine o termo Aptidão Física como um constructo multidimensional e integrado que influência a saúde, funcionalidade e qualidade de vida. Diante de tal definição entendemos, portanto que é necessário estabelecer uma relação entre capacidades biomotoras, funcionalidade e longevidade saudável, conforme citado pela ACSM (2026).
O que é funcionalidade
Funcionalidade é um conceito que se refere à capacidade de algo cumprir sua função ou propósito de forma eficaz. Em outras palavras, é a qualidade de ser funcional, ou seja, de operar corretamente e atender às necessidades para as quais foi criado. Na saúde e neuropsicologia, refere-se à capacidade funcional de uma pessoa, como realizar atividades diárias, independente de limitações físicas ou cognitivas.
De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS, 2013) funcionalidade é uma interação dinâmica entre condição de saúde de uma pessoa, fatores ambientais e fatores pessoais, ou seja, diz respeito às condições físicas, mentais e sociais dos indivíduos com a interação ambiental e pessoal/social também.
Capacidade biomotoras e funcionalidade
A elaboração de um Programa de Treinamento, com foco na funcionalidade na Longevidade Saudável, deve ser estruturada considerando as capacidades biomotoras que devem ser desenvolvidas, de acordo com Guiselini e Guiselini (2026) e o ACSM (2026), por meio de exercícios físicos, obedecendo os princípios de treinamento estruturados para tal finalidade.
Exercícios realizados com peso corporal, acessórios, aparelhos, na água e com música são os mais frequentemente recomendados nos programas personalizados e coletivos. Nas recentes publicações do Colégio Americano de Medicina do Esporte (ACSM, 2026) e Guiselini e Guiselini (2026) a estruturação e aplicação dos Programas de Treinamento com foco na Longevidade Saudável, devem considerar os seguintes aspectos:
- Avaliar de forma multidimensional, por meio de protocolos validados, para conhecer o nível de desenvolvimento das capacidades biomotoras.
- Identificar os objetivos e necessidades (entender as prioridades de cada indivíduo).
- Prescrever o treinamento com base nas necessidades e resultados reais obtidos na avaliação.
- Priorizar a promoção da saúde, funcionalidade, autonomia e independência.
- Conseguir resultados reais, seguros e sustentáveis, motivando a aderência ao programa de treinamento.
Muito embora a literatura sobre treinamento apresente várias capacidades biomotoras necessárias ao desempenho esportivo, existem, de acordo com o Colégio Americano de Medicina do Esporte (ACSM, 2026) e Guiselini e Guiselini (2026) aquelas que têm relação como o desenvolvimento da capacidade funcional ou aptidão física (terminologia adotada pelo ACSM, 2026), que fazem parte de um sistema integrado que influência a saúde, funcionalidade e qualidade de vida, componentes da Longevidade Saudável, alcançados por meio do exercício físico. Diante dessas considerações, entendemos que ambos os termos podem ser entendidos “como sinônimos”, assim sendo, a escolha de utilização de um ou outro termo é uma questão de preferência, não modificando o conceito básico.
Na aplicação prática, nas sessões de treinamento, essas capacidades são desenvolvidas de forma integrada, porém organizadas em grupos, de acordo com seus objetivos específicos e respectivos componentes metabólicos e neuromotores. São organizadas em grupos, de acordo com ACSM:
Considerações pedagógicas
De acordo com o Colégio Americano de Medicina do Esporte ACSM, 2026) os componentes da aptidão física não atuam de forma isolada: eles interagem entre si e sua importância varia de acordo com cada pessoa.
Na nossa experiência prática, cuidando de pessoas, há cerca de 60 anos, utilizamos exercícios e técnicas para desenvolver outras capacidades biomotoras, não listadas na publicação do ACSM (2026). Consideramos, também importante, o desenvolvimento das capacidades descontração/relaxamento e percepção rítmica expressiva, que devem ser incluídas nas sessões de treinamento. A aplicação prática tem demonstrado a sua eficácia. Recomendamos também, na escolha dos exercícios e respectiva aplicação, atenção para a coordenação motora e consciência corporal, capacidades biomotoras importantes para o aspecto qualitativo na execução das diferentes modalidades de exercícios.
Sugestão de Leitura
- RIEBE, D et al. The Components of Physical Fitness. A Roundtable Statment by the American College of Sports Medicine. Medicine & Science in Sports & Exercise, v58, n.8, p. 1827-1850. 2026
- GUISELINI, M e GUISELINI, R. Exercício Físico na Longevidade Saudável> Fundamentos, Evidências, aplicação Prática. Meta Impressões e Soluções Digitais. São Paulo, 2026.
- GUISELINI, M e GUISELINI, M. Avaliação do Movimento: Como diagnosticar déficits de movimento para a prevenção de lesões e prescrição de treinamento personalizado e coletivo. Editora Dialética. São Paulo, 2024.



