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IA: quando realmente vale a pena copiar grandes redes

Colunista: Fábio Cantizano

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Há pouco tempo, o Brasil tomou conhecimento da entrada da Gold’s Gym no mercado brasileiro, com promessa de diversas unidades e experiência marcada pela tradição em alta performance, mesmo com muitos clientes buscando saúde e qualidade de vida.

Com inúmeras lembranças da era de ouro do fisiculturismo, carrega um peso enorme na marca. Ainda assim, não economiza recursos para modernizar e oferecer uma experiência melhor para o cliente. Chegou a vez da IA na sala de musculação, com a experiência do ponto de vista americano.

A adequação ao avanço da tecnologia e ao momento atual

A Gold’s Gym anunciou o lançamento do Hone, aplicativo desenvolvido em parceria com a Demotu que integra avaliação de movimento, composição corporal, planejamento de treino, nutrição e dados de dispositivos como Apple Health e Whoop.

A inteligência artificial aparece como apoio à personalização, à organização das informações e à tomada de decisão dos profissionais. A novidade chama atenção não apenas pela tecnologia, mas pelo que ela revela sobre o futuro da operação das academias.

Em termos de excelência operacional no modelo americano, só tem a ganhar. A cultura de atendimento em sala, além da formação do profissional nos EUA diferem bastante do Brasil. A IA, nesse caso, auxilia bastante no sentido de dar um pouco de autonomia ao cliente e agilizar a tomada de decisão de quem prescreve, permitindo que o profissional passe menos tempo no planejamento e mais tempo na execução.

MAS ATENÇÃO!

A IA agiliza e reduz custos, mas não significa que a resposta do mercado brasileiro seja a mesma do americano, dependendo das intenções da implantação da IA.

Uma transição que ainda engatinha

No Brasil, a ideia também seria excelente. Imagine um professor reduzir 15 minutos na avaliação e mais 10 minutos na prescrição, sobrando 25 minutos para auxiliar e acolher clientes na sala de musculação. Seria perfeito, desde que esses 15 minutos extras sejam planejados e periodicamente auditados.

Não seria apenas redução de custo em avaliações, mas uma presença mais notável do profissional em sala, que no Brasil faz diferença (enquanto nos EUA a pegada é outra).

Por mais que alguns softwares de gestão fitness no Brasil já tenham IA sendo colocada em prática, ainda estamos engatinhando na integração da ferramenta com a real economia de tempo nos processos com foco em melhorar a experiência do cliente na modalidade, em sala.

Os EUA são o número um do mundo em número de academias, seguido pelo Brasil. Isso não é novidade, embora tenhamos ainda muitos gestores brasileiros que se baseiam no modelo americano de prestação de serviço, sem atenção às diferenças em legislação, formação dos profissionais e cultura de consumo do povo (principalmente).

Direto do chão de fábrica

Enquanto grandes redes avançam na integração entre dados, processos e inteligência artificial, muitas academias brasileiras ainda convivem com um problema mais básico: cada profissional trabalha de um jeito.

A avaliação muda conforme o avaliador, a prescrição depende de quem monta o treino, o acompanhamento varia de turno para turno e o padrão de atendimento muda conforme a equipe do dia. Essa variabilidade transforma a experiência do cliente em algo imprevisível e cria uma pergunta desconfortável para o gestor:

Se a qualidade da sua academia depende de quem está trabalhando naquele momento, existe realmente um processo ou apenas bons profissionais tentando fazer o melhor possível?

“Marca a avaliação com o fulano que é melhor…”, “Monta seu treino com o professor tal, que é melhor…”.

Esse tipo de recomendação de clientes é a maior armadilha da sua academia, gestor!

Lembre-se: quem precisa de profissionais estrelas para reter aluno é a aula coletiva. Sala de musculação retém clientes por anos com processos e redução da variabilidade operacional. Mesmo que cada profissional tenha sua personalidade e conhecimento técnico, eles representam a marca. Marcas de sucesso implantam processos em todas as formas de contato com o cliente.

Na prática, sem mais delongas

Já temos meios de agilizar avaliações físicas por meio da IA, mas o objetivo da IA nesse caso é que precisa de atenção.

Reduzir o tempo de análise para aumentar o tempo de exposição do profissional ao cliente requer padrão de registro. Se cada profissional, ao avaliar um aluno, registra doenças e informações importantes de uma forma, há variabilidade operacional, logo, enfraquecimento da marca por conta da entrega sem padrão.

Padronizar a forma de registro ajuda o profissional que vai registrar, ajuda o profissional que vai prescrever a encontrar a informação da melhor forma, sem erros de interpretação.

A IA ajuda? Sim, mas a forma que a IA vai ser utilizada precisa ser adequada pela coordenação técnica da academia.

Na sala de musculação brasileira, ter programas pré-selecionados ou agilizados com IA com base na avaliação deveria ter o papel único e exclusivo de possibilitar interação e monitoramento maior do profissional junto aos clientes. Implantar IA sem melhorar a interação entre time e quem paga as contas pode reduzir algum custo, mas gerar outro mais importante, o da evasão.

Considerações finais

Tenha grandes redes como referência em implantação de sistemas, mas esteja sempre atento às intenções da implantação. Cada modelo de negócio com seu público-alvo merece especificidade na forma que a ferramenta é utilizada.

A IA revoluciona os mercados quando utilizadas como meio (ferramenta), não como fim (aquilo que você realmente deseja como resultado). Implementar apenas por conta de uma rede famosa, sem entender o contexto, é gastar mais para ganhar menos. A conta não fecha.

Me diga, gestor, como você tem realmente compreendido o papel da IA em seu negócio?

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Até a próxima!

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