Influenciadores digitais têm poderes maiores do que imaginamos. Boa parte é responsável pelo ritmo do mercado fitness, salvo academias que realmente dão valor ao reconhecimento do Ministério da Saúde, atuando como verdadeiros negócios voltados para a saúde e a qualidade de vida através do exercício físico.
Mesmo com o foco na prestação do serviço, as academias apresentam falhas evidentes na criação de demandas, falham em criar novos consumidores, já que boa parte da população não pratica exercícios, além de muitos que praticam por conta própria fora das academias.
Caminhamos rumo ao ideal, que é o reconhecimento da população sobre a eficácia e a essencialidade da prática regular de exercícios físicos orientados por profissionais qualificados. Luto por tempos em que as academias terão filas e não um trabalho enorme para convencer de que o melhor para a saúde é o exercício físico orientado.
O que isso significa?
Que as academias ainda focam o marketing na aquisição de clientes, sem esforço suficiente para educar a população antes e durante a jornada. Posts sobre barriga tanquinho, planos e promoções imperdíveis criam uma dicotomia que incentiva cada vez mais o investimento em tráfego pago para aumentar a visitação, sem garantia de conversão e “zero” educação sobre como permanecer saudável ao longo da vida.
Ainda confuso?
Siga na leitura para entender a gravidade da situação e o que sua academia pode fazer para ajudar a reverter essa avalanche de conteúdos feitos por influenciadores, que não ajudam seu negócio a faturar mais.
Quando a ANVISA se mete, a coisa pode ficar séria
No dia 9 de outubro de 2026, a ANVISA publicou um alerta sobre conteúdos gerados por influenciadores com a intenção de recomendar suplementos para ajudar na resistência à insulina.
De acordo com a instituição, suplementos alimentares não podem ser utilizados para TRATAR resistência à insulina.
Cada vez mais vemos a população reconhecendo o poder do exercício físico regular como ação primordial para a saúde e a qualidade de vida, mas sem anular a busca por atalhos por conta de inúmeros motivos. É nesse momento que muitos influenciadores entram em cena, atingindo alvos cada vez mais vulneráveis por conta de desespero e urgência.
Vivemos tempos em que a “audiência” gera mais credibilidade do que títulos acadêmicos. Entretanto, como gosto de citar Rafael Rez, “O Marketing de Conteúdo é a Moeda do Século XXI”.
A falta de conhecimento técnico das agências de marketing digital na área da saúde, junto com a falta de percepção da necessidade de uma curadoria técnica de conteúdos de marca, cria um efeito cascata de conteúdos que não geram demandas para as academias, apenas acompanham tendências que geram lucros para fornecedores dos potenciais “atalhos”.
O exercício físico é uma das intervenções mais poderosas para reduzir a resistência à insulina, comprovadas pela ciência e cada vez mais difundidas. No entanto, conteúdos que focam na praticidade, mostrando que “não precisa se esforçar para ter mais saúde”, geram mais engajamento.
O fato de a ANVISA intervir não significa que melhora a percepção da população em relação às academias, o foco da instituição é agir contra quem burla normas. Os negócios fitness precisam se mexer para virar a principal opção para quem busca a saúde e a qualidade de vida, sendo o marketing de conteúdo uma das principais opções.
Que tipo de conteúdo sua academia produz para combater a desinformação?
Empresas que educam potenciais clientes criam demanda para suas ofertas em um futuro próximo. No momento, boa parte daqueles que procuram academias o fazem por recomendação médica, percepção pessoal sobre a necessidade ou influência de alguém que parece importante (na mente de quem consome conteúdo).
A briga inútil dos conteúdos
As diversas formas de engajamento do público com a marca através das publicações em canais digitais são métricas das agências. A matrícula na academia e o LTV são as métricas da academia.
O abismo que existe entre a vaidade dos likes e a matrícula em um plano anual é grande, gerando na mente do gestor de academias a necessidade cada vez maior de competir por atenção através do tráfego pago e a falsa segurança dos conteúdos repetitivos, já que eles obtêm engajamento em outras marcas.
Lembre-se: tendência não é lei e quem deseja criar identidade não deve seguir tendências banais.
Da mesma forma que donos de academias tentam lutar contra a avalanche de informações sobre atalhos na saúde e a qualidade de vida, luto contra a avalanche de conteúdos vazios de marcas que apenas consomem verba de campanha sem gerar demanda real.
Gestor, se sua academia tivesse 5 concorrentes diretos em um raio de 200 metros, e as matrículas fossem decididas apenas pela qualidade do conteúdo publicado pela sua marca (esqueça a estrutura — foque apenas nos conteúdos, ok?), onde esses potenciais clientes fechariam um plano anual?
Até a próxima!



