Aulas coletivas nas academias e o uso de máscara

Recentemente fiz uma live pelo Instagram com o conhecido Prof. Nélson Bittencourt, um dos Dinossauros do Fitness, com anos de profissão na Educação Física – ainda está em atuação – com larga experiência em gestão, consultorias, dinâmicas de grupos e Engenharia. Nos conhecemos há muitos anos, época que ele sempre foi um excelente aluno meu nos tempos da Ginástica Aeróbica na famosa Rede de academias Corpore pelas décadas de 80 e 90. Sempre muito ativo, viciado em exercícios, hoje em dia ele é Bicampeão de Crossfit na categoria Open. Rumo ao tricampeonato, ele é conhecido entre os amigos pelo apelido de “Capitão Intensidade”. Fácil de entender que ele gosta de treinar forte, não é mesmo?

Treinando com máscara

Nélson treinando Crossfit em 3 boxes diferentes em Santa Catarina, 7 dias por semana, conheceu um amigo, também praticante do Cross chamado Fabio Potolowsky. Perguntado se algum dia ele já havia treinado com máscara, respondeu que não devido a estar treinando no seu próprio box em casa, podendo assim praticar sem máscara. Desafiado por Fábio a treinar com máscara para experimentar, fazendo na mesma intensidade que ele já estava acostumado, assim foi cumprir o pedido do amigo. Bittencourt se sentiu totalmente sufocado, a máscara grudando a cada puxada de ar, parecendo estar sendo afogado, suado, máscara molhada e o treino acabou antes da hora.

Reencontrando o amigo e contando o que se passou, Fábio disse: “ Pois é amigo, nossa questão agora não é mais levantar 150 kgs e sim treinar com uma máscara que pesa 25 gramas, mas eu tenho uma solução…”

Eu sinceramente nunca tinha ouvido falar e nem visto nada parecido até então. Fabio Potolowsky se uniu a outros amigos: Vinicius Burigo Neto e Paulo Ricardo Blank e criaram um acessório SENSACIONAL para ser usado no Crossfit, nas aulas coletivas de academias e nos esportes em geral. Uma Grade, muito bem arquitetada, impressa em 3D, com um material plástico moldável que é originalmente reta, mas ao molhar em água quente consegue-se moldar exatamente na curvatura do rosto de cada um. Colocada atrás de qualquer máscara, fixada por 2 pequenos ganchos do mesmo material, ao se utilizar essa grade, simplesmente acaba a sensação de sufocamento. A máscara não infla e desinfla a cada puxada de ar. Acabando também com a questão desconfortável de grudar com o suor no rosto.

Além de ser uma ideia genial, barata o suficiente por todo know how e ineditismo envolvido, os rapazes criadores ainda se comprometem a vender o arquivo 3D da Grade. Assim qualquer um poderá fabricar suas próprias grades tendo uma impressora 3D. Como se não bastasse, existe uma incrível questão social envolvida: eles usam praticamente 40% das vendas, adquirindo cestas básicas e levando para um asilo de idosos que está sem verba para fornecer uma boa alimentação diária. Uma maravilha em todos os aspectos.

Percepção de esforço no treino com máscara

Esse artigo está sendo escrito porque realmente sei que será de grande utilidade para todos os praticantes de exercícios e esportes, além de eu ter percebido um real valor nessa criação. Nélson Bittencourt ainda completa com alguns dados importantes relacionando o uso de máscaras nos treinos à questão da percepção de esforço na Escala de Borg com a graduação de 1, menos esforço, até 10, muito esforço. Para as pessoas acostumadas a se manterem num grau de treino entre 4 e 5 (moderado), passam a perceber realmente um estímulo até maior, em torno dos graus 6 ou 7. Apesar de a intensidade do treino ser a mesma a já adaptada anteriormente, com a máscara, a sensação do esforço passa a ser maior, podendo até ter ganhos maiores em relação à aptidão cardio pulmonar, necessitando ainda de estudos científicos para essa comprovação. No momento que a máscara exige uma maior demanda dos movimentos das musculaturas respiratórias devido a uma evidente diminuição do ar que passa, certamente conseguimos prever que há um provável aumento na aptidão cardio respiratória, assim como um possível gasto calórico maior.

Sendo assim, nesse momento atual – junho de 2020 – estamos sem poder prever o que ainda virá pela frente, provavelmente, no mínimo, para o chamado “novo normal”, deveremos ter que continuar usando máscaras, sempre nos preocupando quando formos acometidos por algum vírus, como é um hábito da cultura oriental, principalmente no Japão. Já tive gratas experiências com esse povo ministrando aulas por lá. Todos usam máscaras normalmente desde crianças em locais aglomerados, pois a educação, a disciplina e todo o conjunto de limpeza, higiene, além da preocupação com o próximo é passado de pai para filho, de geração em geração, ao longo de milênios.

Nos esportes, nos boxes de Cross, nos estúdios e nas academias de ginástica, o uso da máscara deverá se tornar um hábito de agora em diante. Com essa Grade criada, o que seria um grande desafio ou uma ameaça, poderá ser uma grande oportunidade de termos, no mínimo, uma melhor sensação nas práticas dos exercícios.

Confira mais sobre a máscara acessando essa conta do Instagram @treinebemdemascara.

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