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Capacidade funcional e longevidade

Colunista: Mauro Guiselini

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Longevidade saudável é a capacidade de viver uma vida longa com qualidade, equilibrando corpo e mente, e evitando que os anos adicionais sejam marcados por dependência ou doenças incapacitantes, mantendo autonomia e bem-estar ao longo da vida. Mais do que ausência de doenças: o conceito vai além de não estar doente; envolve práticas que promovem o bem-estar físico, mental, social, emocional e espiritual (Guiselini e Guiselini, 2026). Longevidade é viver mais anos, mas com qualidade.

 O conceito de Longevidade pode ser analisado de duas formas:

1. Longevidade quantitativa

É só a parte dos anos, ou seja, quanto tempo você vive. Ex: chegar aos 90, 100 anos. Segundo os dados do IBGE, referentes a 2023, a expectativa de vida do brasileiro é, atualmente, de 76 anos.

Um dado interessante é que o Brasil vem aumentando sua expectativa de vida ao longo das décadas:

1940 → 45 anos

1980 → 62 anos

2000 → 70 anos

2020 → 76 anos

2. Longevidade qualitativa

Essa é a parte mais importante hoje. É viver muitos anos com saúde, autonomia e disposição. Ou seja: conseguir andar, treinar, cuidar de você, sem dor e sem depender dos outros, com autonomia, por muito tempo. A OMS chama isso de “envelhecimento saudável”: é o processo de desenvolver e manter a capacidade funcional para ter bem-estar na velhice.

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Os componentes da longevidade saudável

A longevidade saudável é construída por um conjunto de componentes bem definidos pela ciência. Na literatura especializada, é um tema que tem uma grande diversidade de componentes; as referências sustentam os seguintes pilares da longevidade saudável.

1. Saúde metabólica

  • glicemia controlada
  • sensibilidade à insulina
  • colesterol e triglicerídeos adequados
  • peso corporal estável

2. Função cardiovascular

  • pressão arterial saudável
  • boa capacidade aeróbica
  • circulação eficiente

3. Força e massa muscular

  • força funcional
  • massa magra preservada
  • potência muscular

4. Mobilidade e velocidade de marcha

  • equilíbrio
  • coordenação
  • velocidade de caminhada acima de 1,0 m/s

5. Saúde cerebral e cognitiva

  • memória preservada
  • velocidade de processamento
  • baixa inflamação neurodegenerativa

6. Sono de alta qualidade

  • 7–9 horas
  • ciclos completos
  • baixa fragmentação

7. Nutrição adequada

  • dieta rica em fibras, vegetais, proteínas
  • baixa ingestão de ultraprocessados
  • controle de inflamação

8. Baixa inflamação sistêmica

  • marcadores inflamatórios reduzidos
  • ausência de inflamação crônica silenciosa

9. Saúde hormonal

  • equilíbrio de hormônios sexuais
  • função tireoidiana adequada
  • cortisol regulado

10. Saúde mental e emocional

  • propósito de vida
  • conexões sociais fortes
  • baixa carga de estresse crônico

11. Ausência de toxinas e hábitos nocivos

  • não fumar
  • álcool moderado ou zero
  • exposição mínima a poluentes

12. Estabilidade genômica e celular

  • baixa carga de danos ao DNA
  • boa autofagia
  • baixa senescência celular

RESUMO DIRETO

A longevidade saudável depende de metabolismo eficiente, corpo forte, mente ativa, baixa inflamação, sono adequado, nutrição correta e conexões sociais.

Capacidade funcional e longevidade saudável

Inúmeros estudos científicos sustentam a importância da capacidade funcional como um dos principais pilares para a longevidade saudável. A eficácia da prática regular do exercício físico, com foco no desenvolvimento de determinadas capacidades biomotoras, de acordo com o médico oncologista Peter Attia autor do Livro “OUTLIVE: a arte e a ciência de viver mais e melhor” (2023), o tema do capítulo 11 é: Exercício, o mais poderoso medicamento para aumentar a longevidade. Na consulta na PUBMED, desde 1918 até 2026, são cerca de 2692 publicações relacionadas ao tema exercício físico e longevidade.

A capacidade funcional refere-se à capacidade do indivíduo de realizar atividades diárias de maneira independente e segura. É também definida como a combinação entre as capacidades biomotoras potência, força, velocidade, resistência, mobilidade/flexibilidade, estabilidade/equilíbrio, que são fundamentais para o sucesso nas atividades motoras.  Interligar essas capacidades biomotoras é o objetivo para quem prescreve exercícios funcionais, principalmente quando o foco do programa é desenvolver a funcionalidade como parte dos programas de exercício e longevidade saudável. (GUISELINI e GUISELINI, 2026)

A capacidade funcional com foco na longevidade saudável é desenvolvida por meio de um programa de treinamento que utiliza os exercícios físicos, realizados com peso corporal, acessórios, aparelhos, na água e com auxílio da música, com métodos e estratégias elaborados para desenvolver/manter a funcionalidade, atender as demandas do ambiente. Assim, especificamente, com relação as capacidades biomotoras, longevidade saudável tem relação direta com as três capacidades biomotoras funcionais centrais:

  1. Mobilidade eficiente (velocidade de marcha, equilíbrio/estabilidade, coordenação motora).
  2. Força muscular preservada (preensão manual, membros inferiores).
  3. Endurance cardiorrespiratória adequada (capacidade  aeróbica/anaeróbica).

Esses componentes são fortes preditores de mortalidade, independência e qualidade de vida.

No próximo artigo vamos falar sobre as três capacidades biomotoras funcionais.

Referências Bibliográficas

  1. Velocidade de marcha e mortalidade

STUDENSKI, Stephanie et al. Gait speed and survival in older adults. JAMA, v. 305, n. 1, p. 50–58, 2011.

  1. Fragilidade, função física e envelhecimento

FRIED, Linda P. et al. Frailty in older adults: evidence for a phenotype. The Journals of Gerontology: Medical Sciences, v. 56, n. 3, p. M146–M156, 2001.

  1. Força muscular como preditor de mortalidade

RANTANEN, Taina et al. Midlife hand grip strength as a predictor of old age disability. JAMA, v. 281, n. 6, p. 558–560, 1999.

BUCHMAN, Aron S. et al. Grip strength and the risk of mortality in older adults. Journal of Gerontology: Biological Sciences, v. 65, n. 5, p. 526–532, 2010.

  1. Capacidade funcional e independência

GURALNIK, Jack M. et al. Lower-extremity function in persons over the age of 70 years as a predictor of subsequent disability. The New England Journal of Medicine, v. 332, n. 9, p. 556–561, 1995.

GUISELINI, M e GUISELINI, R. Exercício Físico na Longevidade Saudável; Fundamentos, Evidências, Aplicação Prática. Meta Impressão e Soluções Graficas, São Paulo, 2026.

  1. Atividade física e envelhecimento saudável

PATTERSON, Ruth et al. Walking pace, physical activity, and risk of all-cause mortality. British Journal of Sports Medicine, v. 52, n. 12, p. 761–768, 2018.

  1. Capacidade cardiorrespiratória e longevidade

BLAIR, Steven N. et al. Physical fitness and all-cause mortality. JAMA, v. 262, n. 17, p. 2395–2401, 1989.

  1. Função física como marcador de saúde global

COOPER, Rachel et al. Physical capability and mortality: systematic review and meta-analysis. BMJ, v. 341, p. c4467, 2010.

  1. Sarcopenia e risco de mortalidade

CRUZ-JENTOFT, Alfonso J. et al. Sarcopenia: European consensus on definition and diagnosis. Age and Ageing, v. 39, n. 4, p. 412–423, 2010.

  1. Capacidade funcional e envelhecimento ativo

WORLD HEALTH ORGANIZATION. World report on ageing and health. Geneva: WHO, 2015.

  1. Mobilidade e risco de incapacidade

STUDENSKI, Stephanie. Bradypedia: The gait speed reference table. Journal of Nutrition, Health & Aging, v. 18, n. 1, p. 3–5, 2014.

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