O Brasil não é o único país da América Latina que vive dificuldades econômicas. Venezuela e Argentina, com suas crises políticas e financeiras atuais, afastam investidores e isso afeta também o mercado fitness na América Latina. Entretanto, Peru e Colômbia tiveram aumento no número de academias, além do aumento na demanda por esses serviços. Redes de academias nacionais se expandem pelos países americanos, mesmo com o cenário não sendo totalmente favorável.

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Fonte: IHRSA Global Report América Latina, 2019

 

Monica Marques, atual membro do board da IHRSA, é sócia e diretora técnica da Companhia Athletica, que conta com 16 unidades multifuncionais e modernas. Ela conta que, durante a última crise no país, a empresa não inaugurou nenhuma nova unidade, mas investiu fortemente em melhorias, novos produtos e serviços premium adicionais.

O BRASIL NO MERCADO INTERNACIONAL

Mesmo diante desse cenário, surge, no Brasil, a BlueFit, agora considerada uma das maiores empresas fitness do país, com meta de expandir para 250 unidades até 2020. Suas instalações têm cerca de 1.200 metros quadrados, oferecem uma média de 200 aulas por mês e estão abertas 24 horas por dia. A Smart Fit, outra gigante do setor, se expande internacionalmente, estando presente em diversos países das Américas do Sul e Central e atende a mais de 2 milhões de pessoas. A rede de academias BodyTech também se expande pelas Américas, totalizando quase 200 unidades.

 

Todo esse panorama traz uma nova configuração no posicionamento do Brasil no mercado fitness internacional:

O Brasil já não aparece mais entre os 10 maiores mercados em termos de faturamento, que ainda é liderado pelos Estados Unidos, com mais de US$ 30 bilhões faturados anualmente. Apesar disso, ainda continuamos em segundo lugar em número de academias, com quase 35.000 unidades oficiais espalhadas pelo país, atrás dos Estados Unidos, que conta com quase 40.000 unidades. Quando se analisa apenas os países americanos, o Brasil aparece em terceiro lugar em termos de faturamento, atrás de Estados Unidos e Canadá, o que mostra sua hegemonia nas Américas em relação aos países em desenvolvimento.

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Fonte: IHRSA Global Report América Latina, 2019

 

Observando-se as imagens abaixo, não é só o Brasil que tem esse disparate entre número de academias e faturamento. Entretanto, muitos países com baixo número de academias, aparecem entre os dez mais em termos de faturamento, como é o caso da França e da Austrália.

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Fonte: IHRSA Global Report América Latina, 2019

 

Esse fato se torna mais complexo ainda quando se analisa o quantitativo de número de clientes: o Brasil aparece em 4º lugar (2º lugar nas Américas) – lembre-se que nosso país não aparece entre os dez primeiros em termos de faturamento – mas China e França aparecem entre os dez mais em número de clientes e de faturamento, apesar de não aparecerem entre os dez mais em número de academias.

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Fonte: IHRSA Global Report América Latina, 2019

 

Além disso, menos de 5% da população brasileira adere a programas de exercícios em academias, contra uma média de 17% nos maiores países em taxas de penetração.

Se considerarmos que as grandes redes nacionais se expandem para outros mercados latinos com adesão ainda menor que o Brasil, é fato que as empresas fitness brasileiras ainda têm muito a explorar em nosso país!

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Fonte: IHRSA Global Report América Latina, 2019

 

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Fonte: IHRSA Global Report América Latina, 2019

 

Segundo Monica Marques, daqui pra frente, operações low-cost baseadas em alta tecnologia e marcas locais irão prosperar, porque a indústria está se consolidando e tem recebido mais atenção, além de investimentos. “A tecnologia vai aprimorar as formas de mensuração e monitoramento. As alternativas de exercício remoto vão se multiplicar. Novos produtos e serviços fitness serão customizados com base nas personalidades e motivações dos clientes. As tribos fitness irão se materializar e fomentar relacionamentos de longo prazo. Mas o ponto de partida, que definitivamente é a essência humana, vai permanecer o mesmo. As pessoas buscam prosperar nos relacionamentos e nos cuidados pessoais. É isso que as academias proporcionam”, conclui ela.

De fato, foi o que nossa equipe observou durante a cobertura da IHRSA Fitness Brasil 2019!

O mercado fitness na América Latina – e no Brasil – está aí, mais promissor do que nunca! A missão dos empreendedores e gestores deve ser, cada vez mais, se capacitar e se planejar para surfar nessa onda de prosperidade que vai atingir novamente esse mercado. Se ultimamente muitos gestores consideram que estamos vivendo uma marolinha, certamente um tsunami está por vir! O melhor a fazer é estudar os casos de sucesso no mercado – fazendo um benchmarking – e aprender com as melhores práticas das academias de sucesso!

Mãos à obra!

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