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Entrevista com Leonardo Pereira, da rede de academias Selfit

Colunista: Redação REF&H

Desde que fundou a rede de academias SelFit em 2012, Leonardo Pereira é uma prova, segundo suas próprias palavras, de que “liderar uma scale-up1 vem com desafios inéditos, particulares de um modelo de negócios que cresce aceleradamente e que é intensivo em capital.”

Segundo o empresário, é preciso criar e realinhar a estratégia, reorganizar processos, pessoas e prioridades. Ao mesmo tempo em que é preciso pensar em como garantir capital e escalar o time sem perder a cultura. 

Nessa entrevista ele compartilha o maior desafio que enfrentou nessa jornada à frente da rede Selfit – a pandemia – e as decisões que tomou e que o levaram adiante. 

Como nasceu a SelFit? Ou POR QUE ela nasceu?

A Selfit nasceu para despertar nas pessoas a paixão pelo movimento. Pra gente, academia é saúde, não é apenas estética ou lazer. Em um país como o Brasil, em que 45% da população está com sobrepeso e apenas 5% está na academia, nossa missão ganha um tom mais nobre. Atividade física é prevenção, um verdadeiro um plano de saúde. E a pandemia mostrou isso.

Como foi a “transição” do pré-pandemia para a pandemia?

Bom, fechamos 2019 com boas construções: com cerca de 200 mil convidadas e convidados (como chamamos nossos clientes) ativos. Foi um ano de entregas expressivas e que nos fez acreditar que 2020 seria ainda mais incrível, pois os fundamentos e os pilares de sustentação ali estavam. Queríamos abrir 50 novas unidades – 1 a cada 7 dias. Janeiro foi o mês histórico. Fevereiro seguiu o mesmo caminho. Março veio a pandemia. Fechamos as operações. Passamos quatro meses e meio com todas as academias fechadas. Nesse momento, o objetivo era preservar nossos principais ativos: time, convidadas e convidados – não cobramos ninguém, razão pela qual nosso Reclame Aqui se manteve bom – e o caixa. 

E o processo de reabertura foi tranquilo?

Em julho, planejamos reabrir nossas operações. O retorno, em agosto, foi incrível. Mas, ainda assim, 30% abaixo do mesmo mês do ano anterior. Dezembro, segunda onda. Janeiro de 2021, algumas cidades voltam a fechar. Março, 35% das unidades fechadas. Maio de 2021, o retorno. Agora, estamos otimistas. Os números apontam para um futuro positivo. E o momento é de retomada. Voltamos a expandir as nossas operações.

A situação da Selfit hoje é confortável?

Hoje, a Selfit está recuperando mensalmente a base de convidadas e convidados. O prognóstico de agosto foi excelente, superando o mês de julho e as operações estão 100% abertas. 

A retomada veio com novidades?

Acabamos de investir em um player digital, com a proposta de levar uma experiência híbrida para as convidadas e convidados. A Weburn não se trata apenas de exercícios físicos online. É sobre orientação –clínica e nutricional – e também produtos alimentares, além de produtos B2B e várias outras iniciativas. Queremos estar mais presentes na vida das pessoas, não só na rotina do dia a dia em nossas academias, mas em viagens, fora de casa, na rua ou no parque. Decidimos ser agnósticos quando falamos em local para suar a camisa. Na Weburn, além de sócio, assumi a posição de presidente do Conselho.

Nesses 18 meses de pandemia, quais foram os maiores desafios?

De março de 2020 até aqui, o principal desafio foi interromper a expansão. Tivemos que dar um cavalo de pau na Selfit – essa expressão significa fazer uma manobra de emergência para um veículo inverter a direção, mediante a aplicação súbita dos freios, para fazê-lo parar. Além disso, no retorno, operar com centenas de protocolos distintos em todo país também foi desafiador. Afinal, os protocolos de segurança são municipais e mudam com o tempo e, como estamos em diversas cidades, a gestão da operação foi extremamente árdua e complexa. Aprendemos rapidamente a operar neste ambiente rigidamente regulado. Outra complexidade foi nos adequarmos a medidas provisórias para dar fôlego e garantir a sobrevivência da scale-up. Nós aplicamos o layoff, um dispositivo jurídico utilizado no Brasil que permite a suspensão dos salários com a manutenção dos vínculos empregatícios. Empoderamos o órgão representativo de nossa classe, ACAD, visando ter voz e ser contributivo nas discussões junto aos entes públicos. 

Em relação à equipe, ela se manteve motivada mesmo com todos os percalços?

O time da Selfit foi incansável e surpreendente. Orgulho e agradecimento fazem parte de minhas lembranças em 2020. Também foi um grande desafio manter a moral e a sanidade mental do time. Tivemos muita comunicação com colaboradores, oferecemos consultas psicológicas, implementamos o auxílio home office e alocação de recursos para construir um ambiente de trabalho. Cuidar das pessoas foi o principal desafio, sobretudo da saúde mental. 

O que fica de aprendizado de todo esse período?

Para lidar com essas situações, o principal aprendizado é que precisamos estar preparados para situações inesperadas e extremas. Quem imaginava que teríamos uma pandemia nessa proporção? Ficou claro que teríamos que cuidar mais das pessoas – e nós cuidamos. Nosso eNPS (o NPS dos colaboradores) aumentou e atingimos 94% em uma operação própria com grande dispersão geográfica e nosso turnover continuou baixíssimo, menor que 1,5%. 

Algum conselho para os empresários fitness?

Se eu pudesse dar um conselho para mim em fevereiro de 2020, eu diria que a gente precisa ser absolutamente realista. E a gente precisa entender que nem tudo está sob nosso controle. Eu sempre considerei ser possível resolver problemas complexos. Empreendedor tem um pouco disso, da hipersuficiência. Mas, a gente precisa parar de tentar controlar o que não se controla. A pandemia me ensinou isto. Vivi um exercício compulsório e doloroso de paciência! Aprendi isso aos 42 anos de idade. E foi justo nessa idade, com uma bela bagagem de aprendizados nas costas, que deixei de ser CEO da Selfit. Hoje, continuo como sócio e membro do conselho. Resolvi me dedicar a outros projetos.

Pode falar sobre esses projetos?

A Endeavor me ajudou a traçar meu novo futuro. A planejar o novo Leo diante de um novo cenário. A desapegar do status quo. Eu já vinha praticando esses exercícios desde setembro de 2020, momento que recusei assumir a posição de presidente da ACAD Brasil. O momento de desaceleração da pandemia viria acompanhado de minha saída da posição que ocupei por oito anos. Conversei com muitos empreendedores em segunda jornada e é para onde estou indo agora. 

Em 2019, em um meetup do Scale-Up Endeavor, conheci Nadim Nicolau, CEO, sócio e fundador da Oral Unic, uma franqueadora odontológica de estrutura premium que participava da sua primeira edição do programa de aceleração. Além disto, meu sócio e também co-fundador da Selfit, Nelson Lins, já o conhecia.

Agora, em 2021, me junto ao time como sócio-diretor e membro do Conselho. Também assumo igual posição em outro grande projeto: a aceleradora WeScale, que está sendo construída em Balneário Camboriú para apoiar empresas focadas em expansão. Nestes novos desafios vem comigo o Roberto Caon, pessoa fundamental na construção da Selfit.

Em 2019, já pesquisava sobre meus próximos passos. O mercado odontológico me chamava atenção, em especial, pelas oportunidades semelhantes ao mercado fitness e, a conexão com o Nadim, em um anúncio inocente, fez com que eu abandonasse a empresa que estava cogitando construir e me juntasse a Oral Unic e ao time. 

Com esse projeto, a intenção é abandonar o mercado fitness?

Não! Continuo como sócio e membro dos Conselhos das duas empresas: Selfit e WeBurn. São apenas novos projetos nessa jornada empreendedora!

1Scale-ups são empresas que crescem de maneira escalável e sustentam esse crescimento por longo prazo, de pelo menos três anos, aplicando métodos sólidos e inovadores de gestão nos mais diferentes setores.
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