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A mulher no fitness

Colunista: Redação REF&H

Vão-se muitos anos desde a chamada “Revolução Feminista” e, desde então, as mulheres vêm conquistando cada vez mais espaço em diversos setores profissionais. No fitness também é assim! Voltando no tempo, talvez você consiga visualizar as imagens de Jane Fonda e Arnold Schwarzenegger como pioneiros no mercado fitness, mas com sua evolução, parece que existe uma tendência a se masculinizar a atuação nesse mercado.

Jane Fonda
Jane Fonda

 

Apesar disso, muitas mulheres rompem a barreira do preconceito e conquistam seu espaço no fitness, não só como professoras, mas também na área de gestão e consultoria, o que talvez não se pudesse imaginar há algumas poucas décadas! É o caso da Cris Santos, CEO da BrainFit e especialista em gestão de pessoas no mercado fitness, que vê desigualdades em todos os setores, não apenas no fitness: “as mulheres precisam trabalhar o dobro para serem reconhecidas em par de igualdade, o que faz com que ganhem menos se não produzirem o dobro!”

Para Eliane Gonçalves, presidente da FESTREINO e membro da Comissão de Emancipação do CREF1 no Espírito Santo, as mulheres recebem menos que os homens no mercado fitness. Com mais de 20 anos de formada e muitas vezes atuando em áreas dominadas pelos homens, ela diz que as mulheres precisam ser bem superior em todos os aspectos para conseguirem ser valorizadas. “Trabalho com médico desportista e é unânime a fala que por mais que me indiquem, os pacientes preferem treinar com os homens! O fitness valoriza os homens.”

Não existe uma pesquisa de ganhos salariais no mercado fitness como algumas empresa de consultoria realizam em diversas áreas empresariais, mas mesmo que um homem e uma mulher recebam o mesmo valor em uma mesma função – o que é garantido por lei – o simples fato dos próprios clientes talvez preferirem mais a presença masculina – tanto homens quanto mulheres – talvez faça com que elas tenham menos clientes personalizados, por exemplo.

Menos oportunidades para mulheres

O professor e consultor Felipe Goulart não enxerga problemas com relação à diferença salarial, mas concorda que as oportunidades de trabalho para elas são menores, podendo gerar uma renda menor quando comparado à atuação dos homens. Entretanto, “cargos de liderança são mais abertos para mulheres do que para homens no mercado fitness quando em comparação a outros mercados”, completa. Nesse sentido, Thaís Almeida, criadora da revista Empresário Fitness & Health, não considera que homens possuam cargos privilegiados. Segundo ela, uma situação curiosa é que existem mais homens como proprietários de academias e mulheres com cargos de direção por serem esposas dos proprietários. Ou seja, é comum mulheres ingressarem nesse mundo acompanhando seus esposos, segundo ela.

Thaís conta que quando ingressou no mercado fitness, as mulheres eram realmente minoria, mas ele vem sendo ocupado de forma crescente por elas. Apesar disso, por ser um local predominantemente masculino, “o acesso das mulheres é mais lento e trabalhoso”. Isso é reflexo, segundo ela, não somente da conscientização referente à igualdade de gêneros, mas também porque, aos poucos, as mulheres foram “cavando” seu lugar ao sol. E olha que ela “cavou”! Hoje mantém um canal sobre empreendedorismo não somente voltado para o mercado fitness, atingindo também diversos outros segmentos. Mas não se afastou totalmente do nosso mercado, onde cresceu e se desenvolveu: hoje ela mantém também a escola on-line Gestão Fitness, com cursos voltados para gestores e empresários fitness.

Em relação à quantidade de vagas no mercado para as mulheres, Thaís Almeida relata que proprietárias de academias ainda estão em número menor, porém, observam-se mais mulheres em cargos de vendas, porque elas possuem características que são mais bem aplicadas ao contato com pessoas. “O interessante é que vejo cada vez mais mulheres como gerentes de academias e isso é muito bom, mostra que estão avançando na hierarquia, o que não era tão comum quando iniciei há 18 anos.”

Cibele Novelli
Cibele Novelli

 

Nossa colunista Cibele Novelli não enxerga desvantagens em ser mulher no mercado fitness, apesar de enxergar desigualdade de funções: “Ao meu ver existe sim, mas não se limita ao fato de sermos de sexos diferentes e sim por uma questão fisiológica, isto é, de habilidades ou capacidades físicas diferentes. Muitas atividades são facilmente desempenhadas por homens e outras por mulheres.”

Força x Inteligência

É uma visão interessante e diferenciada, que parece ser corroborada pela Andréia Lucas, profissional de Educação Física atuante e gestora da Academia Studio Fitness, em Casimiro de Abreu, interior do Rio de Janeiro: “podemos ser até melhores que muitos homens que se dizem fortes nos músculos, mas extremamente fracos na inteligência!” Mas, segundo ela, as mulheres precisam fazer a sua parte, buscando cada vez mais conhecimento, especializações e capacidade técnica. “O fato de ser mulher ainda é sinônimo de incompetência para alguns”, afirma ela. E continua: “capacidade é independente de sexo. Somos tão capazes quanto os homens!”

Não há dúvidas em relação a isso! A capacitação que homens e mulheres recebem é a mesma na faculdade e nos cursos de especialização. Competências para além da técnica é que podem determinar quem vai mais longe. E uma dessas competências, sem dúvida, é que a mulher tende a ser mais “multitarefas” do que o homem. Quem não pode discordar disso é a arquiteta Patrícia Totaro, que desenvolve uma série de projetos além dos projetos de arquitetura: “A mulher é multitarefas por característica própria. Com isso, acaba assumindo várias funções ao mesmo tempo e muitas vezes deixa de lado algum tempo para si mesma. Mas entendo que isso é uma questão que a própria mulher deve resolver, aprendendo a dizer não quando for necessário.”

Noara Pozzer e Patricia Totaro
Noara Pozzer e Patricia Totaro

 

Para Noara Pozzer, consultora na área de atendimento e vendas para academias, os desafios da mulher no mercado fitness são iguais às de qualquer outra carreira! “Desafios são atrelados a qualquer carreira”, segundo ela. Acostumada a vencer as objeções dos clientes, Noara enxerga que estar em uma posição menos privilegiada talvez seja resultado da falta de resiliência de muitos profissionais – homens ou mulheres – que encontram desafios na carreira que não são enfrentados. Ela afirma que “estar sempre com a energia em alta não é fácil em qualquer mercado, mas os desafios fazem a gente encontrar forças!”

Assédio sexual e assédio moral

O mercado fitness é bastante competitivo e como em todos os mercados, a mulher tem dificuldade em se inserir nele. Quem afirma isso é Felipe Goulart, que também é diretor do CREF1: “Além de competir com seus pares, ela acaba competindo com as próprias clientes das academias, pois muitas vezes elas preferem ser atendidas por profissionais do sexo masculino e isso acaba sendo um entrave para a sua contratação.” Felipe Goulart afirma, ainda, que, infelizmente, o mercado fitness ainda trabalha muito a imagem do corpo da mulher. “Quando você trabalha em cima da imagem, as pessoas não vão valorizar seu conteúdo!”

É uma pena que o mercado fitness ainda se comporte dessa maneira quando tanto se fala em dissociar a imagem da mulher da imagem de um objeto, como durante muito tempo foi pregado no mundo todo! Infelizmente, a questão do assédio – tanto moral, como sexual – é uma realidade nos ambientes fitness. “Infelizmente, eventualmente sofremos assédio”, pontua Cibele Novelli.

A advogada Joana Doin, entretanto, ressalta que o assédio só se caracteriza quando “há uma relação de trabalho entre as partes e as ações “devem se dar durante um certo período e de forma reiterada para que se configure o assédio moral.” Para se caracterizar o assédio sexual, “deve-se apresentar algumas características específicas, como: conseguir promoções no emprego, manutenção do emprego, forçar a vítima a ceder por medo, ameaçar destruir a imagem da vítima, entre outros”, complementa a advogada, especialista no mercado fitness.

Mas o horizonte é promissor!

Eliane Gonçalves
Eliane Gonçalves

 

Inicialmente, é preciso entender que a qualificação profissional independe de gênero, na opinião de Eliane Gonçalves. “A sociedade precisa compreender que o conhecimento é construído a partir de uma busca do ser humano”, completa ela. Cris Santos acredita que o mercado fitness em relação à mulher está mudando, mas ela acredita que as próprias mulheres precisam mostrar suas competências, principalmente empreendedoras, e ainda, precisam se mostrar e acreditar mais em si mesmas sem esperar reconhecimento.

O mercado fitness é apenas um reflexo do que acontece em outros mercados, segundo Thaís Almeida. “Aumentar a participação da mulher é um desafio atual e que vem mudando gradualmente. As mulheres precisam constantemente estar em treinamentos, mostrando seu valor para que possam ser consideradas no nível dos homens.” Cibele diz que nuca se sentiu desvalorizada, pelo contrário, “sempre fui muito valorizada não pelo fato de ser mulher, mas sim pelas minhas competências”, afirma. Noara Pozzer completa dizendo que “o espaço de cada um – homem ou mulher – é proporcional ao que se consegue conquistar.”

Patrícia Totaro encerra dizendo acreditar em um mundo que não faça nenhum tipo de distinção. “Nós do mercado fitness, como formadores de opinião, precisamos dar o exemplo!”, completa a arquiteta.

E que assim seja!

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