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O melhor e o pior dos mundos

Colunista: Celso Cunha

Depois de cinco anos de crise, três deles de recessão que encerrou quase 30% das empresas do país, negativou 63.000.000 de CPFs e teve pico de 14,8 milhões de desempregados, os índices melhoraram sensivelmente chegando a 11,2% em janeiro de 2020, com 11,9 milhões de desempregados. Falar em capital de giro seria uma insanidade, pois, quem sabe o que é e para que serve já o consumiu lá atrás.

Desde os tempos mais remotos, nós, seres humanos, tentamos prever o futuro antecipando os fatos, e nesse momento não é diferente. Os Otimistas e os Pessimistas divergem historicamente naquela história do copo pela metade. Atualizando: vivemos dias de exceção global, o Ministro da Saúde apresenta um quadro de possível evolução do corona vírus que pode durar sete meses, sendo que nas primeiras medidas trabalha-se com um horizonte de apenas quinze dias que se estende a cada relatório analisando-se a evolução da curva gráfica do vírus.

A equipe econômica debruça sobre relatórios e demandas quase infinitas de ações para a retomada da economia e a manutenção dos empregos. Segundo o Ministro da Economia, serão disponibilizados, rapidamente, R$ 274 bilhões para atuar nas duas frentes; deter o avanço do vírus e retomar a economia. Parece muito, mas não é.

Os EUA disponibilizaram US$ 2 trilhões, ou seja, pouco mais de 10 trilhões de reais e há quem diga não ser o suficiente para as medidas a se tomar. Por aqui disponibilizamos 2,7% desse valor e nos tornamos ferrenhos torcedores para que quase por um milagre a curva da evolução da Covid-19 caia tanto quanto as bolsas nas últimas semanas.

As empresas começam a demitir devido à insegurança e ao pessimismo instaurados no país. O governo reage proibindo a interrupção no fornecimento de água e energia elétrica por parte das concessionárias por 60 dias e joga para a frente o recolhimento do FGTS e do Simples Nacional por seis meses. Libera cesta básica e metade do 13º salário para os aposentados e acena com abono para profissionais autônomos por seis meses, além de estudar entrar com parte do salário dos funcionários de empresas que não demitirem.

“A saúde do povo brasileiro está acima e além das disputas políticas”, salientou o ministro Paulo Guedes ao explicar as medidas. Segundo ele, apesar da magnitude, esse é apenas um esforço inicial. Durante esse período, as contribuições devidas ao Sistema S sofrerão redução de 50%.

O PIB do Brasil é de R$ 7,3 trilhões com 21.270.000 CNPJs, ou seja, numa população de 209 milhões de pessoas, uma a cada dez pessoas são empreendedores e estão expostos ao risco. Assumem obrigações fiscais e trabalhistas em busca do sucesso e da independência financeira.

Dados do SEBRAE indicam que o capital médio das empresas no Brasil suporta apenas 27 dias de funcionamento. Sabendo disso, o Governo Federal liberou parte do compulsório dos bancos recolhidos ao Banco Central de R$ 1,2 trilhão para que atuem nas linhas de crédito de socorro às empresas; além das agências de fomento de cada Estado, no caso do Rio de Janeiro com carência de 24 meses. Tudo isso é macro e está em discussão ou em fase de implantação.

Pequenas e médias empresas no meio da pandemia

No caso das micro e pequenas empresas, estamos vindo de cinco anos de crise, sendo que três desses em recessão. O PIB encolheu e a concorrência aumentou no caso das academias. Sendo realistas e transformando ações em números e possibilidades, planejemos essa primeira etapa para 60 dias com retomada gradual da economia e reabertura das empresas. Apesar da receita zerada devido ao fechamento das empresas, despesas como água e esgoto, energia elétrica, FGTS e Simples Nacional foram adiadas e estarão fora de nossa planilha de custos nessa primeira etapa, bem como parcelas de empréstimos bancários se houver. No caso dos aluguéis, parece um bom momento para recorrer ao depósito caução de três meses, se houver, ou ao parcelamento com vencimento para após a reabertura dos meses não quitados. Honorários de contador e advogados podem ser postergados sem maiores problemas; aguardamos o governo se pronunciar em relação ao INSS (GPS).

A folha de pagamento é o que mais preocupa os empregados e empregadores; ela pode chegar a 35% do faturamento médio das empresas. Para quem possui reservas, conceder férias nesse momento parece o melhor a fazer pelo prazo de trinta dias e, a partir daí, em se tratando de pagamento de todo ou parte dos valores devidos, alinha-se um acordo dentro das regras que estão sendo definidas pelo governo; tudo documentado e sob orientação de contadores e advogados.

Perceba que o governo considera fornecer crédito para empresas que não demitirem e não possuam protestos e façam parte da dívida ativa.

Tudo isso são possibilidades sujeitas a mudanças a cada reunião entre os poderes; mas, a ideia central é essa mesma.

Vamos em frente, um dia de cada vez. Mantenha-se atualizado e pensando positivo!

 

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