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O novo modelo de trabalho só funcionará com muito autogerenciamento

Colunista: Cris Santos

Há uma corrida insana por modelos de trabalho que se harmonizam cada vez mais com o ambiente doméstico. Esta procura por trabalho híbrido ganha força – mas sem critério – e coloca em xeque a relação Empregado X Empregador.

A habilidade da vez ganha força segundo uma pesquisa realizada pelo site Indeed com 132 CEOs, que mostrou que 95% deles entendem que a principal competência de agora é o autogerenciamento.

Chegou a hora de reconhecer quem tem maturidade para trabalhar em casa ou à distância já que uma das principais características da pandemia foi a de entender que, se as pessoas têm realmente um envolvimento com aquilo que fazem, o farão mesmo à distância. Quem trabalhou bem em casa, não vai precisar provar que precisa voltar para o presencial.

Culturalmente, o trabalho está menos centralizado e menos hierárquico. Hoje, perde vez aqueles que precisam de um gestor dedicado para dizer-lhes o que fazer. Talentos serão reconhecidos pela capacidade de realizar as tarefas como seus líderes fariam e serão cada vez mais reconhecidos e desejados. Aqui há um ponto: os líderes precisarão ter essa percepção bem desenvolvida, porque autogestão significa dizer que bons profissionais não precisarão de ordem, mas de acompanhamento.

Os profissionais do futuro terão menos definições de seus papéis, poderão se empenhar em projetos de diferentes áreas, não serão focados em apenas um projeto. Vão procurar participar efetivamente de equipes multidisciplinares.

A principal mudança para esse cenário é que pessoas autogerenciáveis não ficam esperando a “ordem” do gestor. Não fazem conta se é dia útil, não se preocupam com carga horária e atendem às demandas no prazo previsto. E essa relação põe em xeque a construção de uma nova cultura nas academias.

Líderes estão preparados para isso?

Estão preparados para dar e receber autonomia? Considerado um dos principais pilares motivacionais, segundo Daniel Pink em seu livro Drive 3.0, a autonomia é aquela condição de permitir e esperar que profissionais se aloquem nas condições geradas pelo sistema.

A autonomia faz parte da nossa natureza básica e, por diversos motivos, a sobrevivência econômica das empresas ficou associada ao sufocamento dessa natureza.

É preciso resistir à tentação de controlar as pessoas e, em vez disso, fazer todo o possível para despertar a adormecida autonomia que temos enraizada em nós.

Daniel Pink

E esse papo nada tem a ver com forjar um modo de escapar da responsabilidade, ao contrário: a ideia de liberdade “presume que as pessoas querem ser responsáveis – e que um caminho para isso é lhes dar controle sobre sua tarefa, seu tempo, sua técnica e seu time”. (Daniel Pink)

A mudança é positiva, mas precisa ser bem alinhada entre as partes.

Poder trabalhar em um local mais conveniente para o trabalhador amplia os horizontes. Pessoas estão se deslocando para a praia, a fazenda, o sítio ou mesmo criando rotinas domésticas para atender suas rotinas de teletrabalho e, com isso, manterem-se empregados!

O trabalho veio para dentro de casa e precisou ser harmonizado com todo o resto… e para esses talentos autogerenciáveis, funcionou. Eles querem se manter empregados, mas demonstraram forte associação com a empresa procurando ser cada vez mais relevantes e mais qualificados.

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Muitas academias e empresas do fitness, puderam estruturar um local de trabalho para suas equipes e, com isso, diminuíram seus custos. Escritórios menores, vale-alimentação e vale-transporte poderão ser substituídos por cestas básicas e planos de saúde.

Para o talento isso é visto como investimento e é sinal de um novo modo de trabalhar. Mais harmônico, mais justo e mais autônomo.

Mas...

É fato que existem muitos desafios nesse modelo, pois dar a opção de as pessoas alocarem suas rotinas de vida ao trabalho, além de harmônico, também promoveu uma acomodação por hora positiva na qualidade de vida, mas que pode ser um estimulador de procrastinação, já que se sentem “donos” de suas próprias agendas.

É naturalmente humano sentirem-se estimulados a criarem mais quando estão em grupo.

Se você deseja subir na hierarquia, provavelmente terá que voltar ao escritório”, afirma Peter Cappelli, diretor do Centro de Recursos Humanos e professor de administração de Wharton, escola de negócios da Universidade da Pensilvânia, autor do livro “The future of the office”. “Nada vai ser igual porque não estamos mais juntos nisso!

Nesse sentido, unir a autonomia à condição de confiança que o gestor precisará ter no seu funcionário precisará também ser clara e enfática. E poderá funcionar muito bem se a proposta for manter o formato de trabalho no contexto híbrido alinhando-se tudo o que se espera de uns e de outros.

Porém, até que ponto nos manteremos próximos o suficiente para gerar essa confiança mútua entre empregado e empregador?

Para os funcionários, desenvolver habilidades de autogestão, conseguir se organizar para entregar prazos e dar mostras disso, será fundamental para o exercício saudável da confiança.

Para os líderes e empregadores, a habilidade de comunicação, especificamente a clareza na comunicação, passa a ser mais importante, principalmente quando for necessário dizer o que se espera deles e de que forma.

Planos de ação, prazos e metas, autogerenciamento e autoconhecimento, são itens indispensáveis na lista desse modo de trabalhar, que, convenhamos, ainda está em teste!

O que a pandemia nos trouxe foi acelerar e deixar mais “natural” o trabalho à distância. Certamente, há muitos benefícios, mas que ainda precisam ser colocados em uma balança: o trânsito, os deslocamentos, os custos de ter pessoas no escritório circulando, a descentralização do consumo mais evidente nas regiões empresariais, dar permissão das pessoas trabalharem de onde estiverem são, sem dúvida, algumas das acomodações que fazem muito sucesso nesse modelo!

Mas quem garante que o modelo híbrido é o ideal? Se pessoas precisam de pessoas para serem criativas e gerar novas ideias, como farão isso se estiverem à distância?

Para modelos híbridos, ser e estar colaborativo só funciona, segundo Fábio Coelho, diretor do Google Brasil, baseado em quatro pontos principais: ter pessoas com perfis colaborativos, plataformas certas, alinhamento de propósito para as pessoas saberem que estão na direção certa e métricas para acompanhar.

Importante será pensar que se você estiver à procura de conforto, não será no mercado de trabalho híbrido que você vai encontrar. Trabalho é sinônimo de entrega, de dedicação, de relacionamento e de ganhos justos estando ou não no escritório.

Para os empregadores, sejam firmes e adaptáveis ao que faz sentido para esse novo momento; para os empregados, sejam transparentes, comprometidos e maduros para lidarem com essas novas adaptações.

Ninguém ainda tem muita certeza de nada, tudo está sendo um grande experimento!

Referências que vão te ajudar a entender melhor o futuro do trabalho:

  • Combustão criativa acontece no presencial. Saiba mais aqui.
  • Autogestão é palavra-chave para o profissional do futuro. Saiba mais aqui.
  • Quem optar pelo home-office vai sair perdendo. Saiba mais aqui.
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