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5 motivos que fazem os proprietários de academia odiarem os profissionais de Educação Física

Colunista: Thiago Villaça

1. Eles não pensam como autônomos

Se existe um “atributo” que a faculdade de Educação Física deveria ensinar é a capacidade de formar profissionais empreendedores. Profissionais empreendedores estão mais preocupados em saber se a empresa permite que eles demonstrem suas habilidades e competências do que saber se o estágio ou emprego paga vale transporte, ticket refeição ou qual é o valor da hora/aula. Aliás, o profissional empreendedor não está em busca de emprego, o que ele quer é trabalho. Atender bem dá trabalho, encantar o cliente dá trabalho, fazer a diferença na vida do consumidor dá trabalho e o que a maioria dos profissionais de Educação Física querem não é ter trabalho, é ter um emprego.

“Ah, mas pelo valor que o patrão paga não dá pra fazer um trabalho espetacular, pelo contrário, tem que fazer o basicão!”

Oi? Meu amigo! O Neymar Jr, Ronaldo Fenômeno, Zico e até o Pelé começaram suas carreiras ganhando um salário-mínimo e nem por isso eles faziam gol contra, falavam mal dos seus clubes, colegas de trabalho ou treinadores!

2. Eles não sabem ter perspectiva

“O que é ganhar bem para você?”

Essa é uma das perguntas que faço nos processos seletivos, tanto de estágio quanto de profissionais formados, e sabe o que eu ouço?

“Ah, ganhar bem é conseguir pagar as minhas contas, ter o suficiente para viver bem…”

Óbvio que a pergunta seguinte que faço é:

“Tá, mas o que é viver bem?”

“Ah, é sobrar dinheiro no fim do mês para fazer uma viagem… poder passear no fim de semana sem me preocupar com o cheque especial.”

E finalmente vem a pergunta:

“Tá, e quanto é isso?”

Incrivelmente as pessoas respondem:

“Você está falando de dinheiro? Ah, é difícil falar de dinheiro!”

Um profissional sem perspectiva financeira não vai entender o motivo pelo qual precisa cumprir metas, entregar resultado, se comprometer com os valores da empresa ou vestir a camisa da organização. Um profissional sem perspectiva financeira não está disposto a pagar o preço para ser bem-sucedido!

3. Eles não têm a menor noção do que é gerir suas carreiras

Se o profissional de Educação Física fosse uma empresa (e acredite, todos são) ele deveria ter um departamento comercial, gerencial e operacional. O departamento comercial do profissional de Educação Física é responsável pela receita dele, seja ela proveniente de clientes de personal ou do salário de professor de academia. Pois bem, se o departamento comercial é o responsável por gerar receita para este profissional, tão importante quanto saber da parte técnica é saber vender. Marketing pessoal, neurolinguística, comportamento do consumidor, perfil comportamental e neurociência são tão importantes quanto fisiologia do exercício, anatomia, biomecânica ou treinamento de força.

Ser especialista em algumas destas disciplinas não é garantia de boa remuneração (apenas garantia de sobrevivência), mas saber os fundamentos de uma negociação, ter uma boa apresentação pessoal e mostrar para as pessoas que você é especialista em gente, é garantia de prosperidade profissional. Se o departamento comercial cuida disso, o gerencial deve cuidar do rumo que este profissional está tomando na carreira. Tem muito profissional de Educação Física que quer atender pessoas de alto poder aquisitivo, mas se comunica melhor com o publico adolescente. Resultado? A carreira não sai do lugar! O departamento gerencial é um guia do departamento operacional, ou seja, ele diz para quem coloca “a mão na massa” que caminho seguir e isso abre uma brecha para falarmos do quarto motivo que fazem os proprietários de academia detestarem os profissionais de Educação Física: a forma como eles se comunicam.

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4. Eles não sabem se comunicar

Aproveitando o exemplo acima, se o departamento gerencial do profissional de Educação Física entende que ele precisa desenvolver a comunicação para falar ainda melhor com o público adolescente, não faz o menor sentido ele querer atender outro tipo de cliente! Se o profissional de Educação Física cativa o publico idoso, gestante, executivo, mulheres até 40 anos de idade, homens acima dos 45 ou qualquer outro, por que diabos o professor vai querer atender um público diferente do que ele se dá melhor?

Para que público as marcas de material de limpeza fazem propaganda na TV? Para homens solteiros? Nem pensar! Em que horário o Boston Medical Group (que atende homens com ejaculação precoce ou disfunção erétil) faz propaganda na TV? Na hora da novela? Óbvio que não!

O profissional de Educação Física precisa entender qual é o público com o qual ele se comunica melhor e, a partir daí, cativar as pessoas e oferecer a melhor solução para esta audiência.

5. Eles não entendem de prosperidade

“Todo mundo diz que gosta de mim porque tenho um coração enorme! Muita gente diz que sou como um pai porque tento ajudar todo mundo! Eu realmente me esforço para que todos gostem de mim ao máximo!”

A afirmação acima é muito comum entre os profissionais de Educação Física que atuam como professor de academia, personal trainer e até mesmo como gestor, mas, do ponto de vista prático, quem é a pessoa que você conhece que prosperou na vida exclusivamente por conta do tamanho do coração, por se comportar como um pai na empresa ou que se preocupa em ser querido entre clientes, fornecedores e colegas de trabalho?

Pessoas prósperas estão preocupadas em gerar resultado, custe o que custar! Na vida do profissional de Educação Física, gerar resultado significa dizer que ele precisa se indispor com clientes (particulares ou da empresa que trabalha), colegas de profissão e, muito possivelmente, se indispor até mesmo com seu gestor imediato. Uma expressão que gosto muito de usar e que tem a ver com prosperidade é “quem não incomoda se acomoda” e ela vale para incomodar a si mesmo e os outros (tirar as pessoas da zona de conforto), caso contrário a vida deste profissional dificilmente sairá do padrão que está acostumada a ser.

Neste sentido, para quem quer ser próspero, de nada adianta bater no peito e se orgulhar de ser um pai no ambiente de trabalho, ter um coração que não cabe na caixa torácica ou querer ser lembrado por ser uma pessoa agradável. Pessoas prósperas incomodam, são implacáveis com resultados, não renunciam às suas convicções, aprendem com os erros e se orgulham de não ser alguém estagnado que busca estabilidade e segurança. Pessoas prósperas sabem que suas habilidades e competências são momentâneas e que, daqui a algum tempo, ele vai precisar deixá-las de lado para adquirir novas, mesmo que essas habilidades e competências tenham sido responsáveis por fazer dessa pessoa quem ela é. 

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