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Lifespan x Healthspan: implicações no mundo fitness

Colunista: Mauro Guiselini

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Em 2023 o médico oncologista Peter Attia, publicou o livro “OUTLIVE: a arte e a ciência de viver mais e melhor”, cujo tema do capítulo 11 é: Exercícios – o mais poderoso medicamento para aumentar a longevidade.

O neurocirurgião e escritor, autor do livro MENTE AFIADA: desenvolva o cérebro ativo e saudável em qualquer idade, publicado em 2022, no capítulo 4 intitulado: O milagre do movimento, faz o seguinte comentário, que merece a nossa atenção: “quando me perguntam qual é a coisa mais importante que se pode fazer para melhorar a função do cérebro e sua resiliência no que diz respeito “às doenças degenerativas, respondo com uma única palavra – exercício – mexa-se mais e mantenha uma rotina regular de boa forma física.

Nos últimos anos, a prática regular do exercício físico tem sido motivo de estudos e pesquisas pelos profissionais da área da saúde, no entanto, as primeiras publicações sobre o tema, de acordo com resultados, consultando PUBMED, foram realizadas a partir de 1918 e, até 2026, são 2692 publicações relacionadas ao tema exercício físico e longevidade. Porém, antes de alguém falar, escrever ou publicar artigos científicos sobre o tema, o exercício físico já fazia parte da vida humana por necessidade (caçar, plantar, migrar, lutar). Porém, isso ainda não era pensado como algo feito para a saúde, mas para a sobrevivência.

Os primeiros registros escritos conhecidos que associam movimento corporal e manutenção da saúde, o exercício como prevenção – não só tratamento – é uma ideia antiga que vem da China, o Huangdi Neijing (Clássico Interno do Imperador Amarelo), compilado entre os séculos IV e II a.C., afirma que a saúde depende do equilíbrio entre atividade, repouso, alimentação e estações do ano, sendo o movimento parte essencial da prevenção de doenças. Na Índia, textos ligados ao Ayurveda e à prática do yoga já relacionavam: movimento corporal, respiração, saúde física e mental. O médico Suśruta (≈ séc. VI a.C.) é citado como um dos primeiros a prescrever exercícios como parte explícita de tratamentos médicos, algo muito próximo do que hoje chamaríamos de prescrição de exercício. Hipócrates (460–370 a.C.)  escreveu, de forma direta, que: alimentação sem exercício não mantém a saúde, excesso ou falta de exercício causa doença, saúde depende do equilíbrio entre comida e movimento. Importante: Hipócrates tratava o exercício como ferramenta médica, não apenas cultural ou esportiva. Filósofos gregos reforçam a ideia: Platão defendia o ideal de mente sã em corpo são (mens sana in corpore sano); Aristóteles via o exercício como parte da formação do cidadão saudável. Na Grécia, exercício, educação e medicina estavam profundamente interligados

O exercício como PREVENÇÃO (não só tratamento) é, portanto, uma ideia antiga: na China (Huangdi Neijing) pregava-se que o melhor médico é o que impede a doença de surgir, ajustando movimento, alimentação e rotina ao ambiente e às estações. Na Grécia, Hipócrates dizia que doenças surgem do desequilíbrio entre comida e exercício; prevenir é melhor do que curar.

Na Medicina moderna, isso hoje é um pilar oficial da medicina: a Organização Mundial da Saúde recomenda atividade física antes do adoecimento, não apenas após; programas como “Exercise is Medicine” tratam o exercício como intervenção preventiva padrão, tal como vacina ou controle alimentar.  O conceito de medicina preventiva nasce diretamente dessas tradições antigas.

O corpo e mente funcionam como um sistema único; desde a antiguidade esta ideia já era abordada, na China, saúde depende do equilíbrio entre corpo, emoções e ambiente; na Índia (Yoga), movimento, respiração e mente são inseparáveis e na Grécia, exercício melhora não só o corpo, mas o caráter e a clareza mental. Na ciência moderna, isso é fortemente comprovado: atividade física reduz depressão e ansiedade, melhora cognição e memória, altera positivamente neurotransmissores.

 Diante desses fatos, mais recentemente as evidências mostram que a saúde mental está associada com a prática regular do exercício, fazendo parte do tratamento psiquiátrico. As práticas com foco na intervenção corpo-mente, tais como Yoga, Tai Chi, Pilates, têm sido recomendadas. A neurociência moderna confirmou, por meio de estudos, pesquisas e aplicação prática, o que essas culturas observaram há milênios.

Durante muito tempo falamos sobre Lifespan – quantos anos você vive – e, para tanto a medicina dispõe de inúmeros recursos, porém, falar sobre isto ficou insuficiente, pois a expectativa de vida aumentou muito, mas observamos que na população, em geral, temos mais pessoas com idade avançada, mas com diabetes, com dor e mais anos dependente. Muitas pessoas não morrem cedo, mas passam 10-20 anos com baixa qualidade de vida.

O que é healthspan?

Healthspan significa “tempo de vida saudável”, ou seja, o período da vida em que uma pessoa permanece livre de doenças crônicas, incapacidades significativas e com boa funcionalidade física e mental. Está relacionado com quantos anos você vive: funcional, independente, cognitivamente integro, com autonomia, energia, disposição e alegria para viver com os familiares e amigos. É diferente de lifespan, que mede apenas quantos anos alguém vive. A ciência mostrou que o exercício físico, bem orientado por profissionais competentes, adiciona alguns anos de vida, mas adiciona muito mais anos de vida com qualidade. O exercício atua mais no healthspan do que no lifespan. Falamos mais em healthspan porque o grande ganho do exercício não é apenas viver mais, mas viver melhor — com menos anos de dependência, dor e incapacidade.

            O foco do healthspan é qualidade, não apenas quantidade de anos. A medicina moderna tem enfatizado cada vez mais esse conceito, buscando que as pessoas vivam mais e melhor, e não apenas mais tempo.

Por que o healthspan é importante?

Porque muitas pessoas vivem longos anos, mas passam décadas lidando com doenças como diabetes, hipertensão, osteoporose e limitações funcionais.

Aumentar o healthspan significa reduzir esse período de sofrimento evitável.  As principais estratégias citadas nos estudos incluem:

  • Alimentação equilibrada e anti-inflamatória.
  • Atividade física regular (força, endurance aeróbia/anaeróbia e mobilidade.
  • Sono de qualidade.
  • Gestão do estresse (meditação, mindfulness).
  • Prevenção de doenças e acompanhamento médico regular.
  • Relações sociais saudáveis.

Diferenças entre Healthspan e Lifespan

Na tabela abaixo, você encontra as principais diferenças entre healthspan e lifespan:

Diante das evidências científicas sobre os efeitos de exercício físico na longevidade saudável, sem dúvida, são milhares de estudos, a sua aplicação pode ser na prevenção de doenças relacionadas ao sedentarismo, manutenção da capacidade funcional, reabilitação dos déficits e disfunções neuromusculares e metabólicas, desempenho esportivo de lazer e alta perfomance.

Temos um grande desafio: motivar os “milhares de sedentários”, em particular os adultos idosos, a incluírem o exercício físico como um hábito saúde, que faça parte do estilo de vida e, principalmente, uma vez iniciado o programa de treinamento, incorporá-lo no seu dia a dia por um logo período, para que faça parte do seu healthspan.

Fica a pergunta que não quer calar:

O mercado do Fitness & Wellness está preparado para atender essa demanda?

Visite o nosso canal do Youtube clicando aqui.

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