Pilates para crianças: um mercado que ainda necessita de cautelas para o empreendedor

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Hoje vivemos uma grande mudança no mercado do método Pilates. A cada dia, empresas e profissionais criam e recriam técnicas e aparelhos que se unem à modalidade, na tentativa de explanar novidades.

Diante das diversas “inovações”, uma que cresce ainda por passos lentos, é o Pilates para crianças. Lento, pois já existe uma tentativa de inserir o produto no formato de cursos de aperfeiçoamento, mas pouco se investe em outros setores, como a criação de aparelhos adequados e uma metodologia específica para a idade cronológica e biológica da criança.

Pensando assim, para pontuar melhor nossa conversa e oportunizar uma reflexão para que o empresário dono de estúdio decida se vale a pena ou não aderir à modalidade, separei nossa conversa em 3 pontos positivos e negativos, cabendo uma atenção maior para este segundo por se tratar de fatores que podem arruinar o negócio do empreendedor, e por isso, carece de cautela, como destacado no título de nossa matéria.

Pontos positivos:

  1. Mercado ainda pouco explorado: por se tratar de um mercado que ainda não está sendo aproveitado como poderia, a implementação da modalidade poderá repercutir em maior lucro e evidência empresarial.
  2. Necessidade de gerar capital ou de desenvolvimento social: com a concorrência do mercado trabalhista, é comum que a família passe menos tempo com seus filhos e, consequentemente, busque ambientes que auxiliem no desenvolvimento de aspectos motores, educacionais e sócio-emocionais das crianças enquanto estão no trabalho, fazendo compras, entre outras necessidades. O empreendedor antenado nas transformações do mercado pode utilizar o estúdio de Pilates para suprir essas necessidades e não apenas para estimular as tradicionais adaptações biológicas. Seu estúdio está próximo de comércios, como um shopping? Pense nisso!
  3. Aproximação da família: a oferta de serviços que possibilitam que toda a família consuma sem precisar se deslocar e despender de tempo e dinheiro para tal é um fator que pode ser decisivo na diminuição da evasão do programa de treino, aumentando significativamente os lucros do estúdio. Sempre se faz interessante que o empreendedor crie estratégias que unam a família por meio de aulas adaptadas em que mãe, pai e filho possam trocar experiências emocionais e motoras. Lembram das necessidades simbólicas que o aluno de Pilates possui (edição 69)? A aproximação familiar pode ser um caminho.

Além destes, existem outros pontos positivos que podem ser explorados e pensados pelo empreendedor, cabendo a cada um, uma análise detalhada da especificidade de seu público e de sua localização.

Pontos negativos:

  1. A lenda exercício x crescimento: por mais que já existam diversos estudos científicos demonstrando que o exercício físico sistematizado não atrapalha o crescimento, pelo contrário, o auxilia, ainda existe certa resistência por parte da sociedade em matricular crianças em programas de exercícios, principalmente os resistidos por halteres e molas. Caso o empreendedor não invista em iniciativas que reverta esse equívoco do senso comum, correrá o risco de oferecer um produto que não será comprado pelo mercado consumidor.
  2. Aparelhos específicos: os aparelhos tradicionais do Pilates, além de não oportunizarem uma ergonomia adequada, podem ser perigosos e causar acidentes graves. Assim, é preciso que se invista em estudos (ainda carentes no Pilates) que identifiquem quais são as melhores dimensões e magnitudes dos aparelhos e molas para o público em questão. Na musculação, já são comuns academias para crianças com todas as adaptações exigidas, no Pilates, ainda necessitamos de pesquisas nesta vertente. Trata-se de uma das maiores dificuldades com que o empreendedor irá se deparar, carecendo de um investimento alto que provavelmente irá interferir significativamente no capital de giro do estúdio.
  3. Necessidade de investimento físico e profissional: por precisarmos de aparelhos específicos, o empreendedor terá que possuir duas salas ou uma com grande dimensão que acolha os materiais para os adultos e para as crianças, aumentando expressivamente os custos do estúdio, fato que limitará a modalidade, por enquanto, apenas para empresários de grande e médio porte. Além disso, o investimento no aperfeiçoamento do instrutor é de suma importância, pois a criança não pode ser entendida como uma miniatura do adulto, exigindo uma metodologia específica. Exercícios mal estruturados, como aqueles pensando apenas no ganho de força e flexibilidade, com destituição da ludicidade, tendem a acarretar aulas desastrosas, sem falar que sem a sistematização adequada, ai sim, teremos o risco de afetar as epífises de crescimento ósseo e causar lesões a longo, médio e curto prazo na criança. Os aparelhos e profissionais precisam ser especializados para um atendimento adequado.

Para finalizar nossa matéria, a fisioterapeuta Monique Lima (Crefito: 165843F) nos destaca alguns acontecimentos após passar pela experiência de realizar aulas para crianças:

“Os aparelhos são altos e largos, podendo causar acidentes e dificultando os exercícios. As molas mais leves são muito pesadas para as crianças. Elas também não conseguem realizar os princípios do método como o Power House e a respiração. Além disso, não respeitavam os exercícios tradicionais, como alcançar o número de repetições. Percebendo que estava faltando ludicidade na aula, criei adaptações que transformaram os exercícios tradicionais em movimentos mais divertidos e coerentes para a idade de cada um”.

Portanto, amigos empresários, o investimento é alto e trabalhoso. Não basta inserir a criança em um estúdio totalmente despreparado e ausente das necessidades delas. Entendendo isso, ao invés de ser inoperante, este mercado só precisa apenas de cautela, pois se bem trabalhado, pode se tornar um divisor de águas entre lucros tradicionais e o alavancar do negócio.

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