Nessa e, na próxima coluna, terei a colaboração da visão e conhecimento do Dr. Ricardo Urso, que irá nos brindar com o tema acima:
Sou professor universitário, fisioterapeuta, faixa-preta de Jiu-Jitsu, especialista em Fisioterapia Desportiva, Traumato-Ortopedia, Empreendedorismo e Gestão de Franquias. Ao longo da vida profissional, participei de mais de 20 milhões de reais em comercialização de franquias e da implantação de mais de 100 unidades. Desde garoto, porém, carrego uma paixão paralela e permanente: o futebol. Não apenas como torcedor, mas como estudioso do esporte. Uma das minhas especializações teve como trabalho de conclusão de curso o estudo das lesões de joelho no futebol, o que me aproximou ainda mais da relação entre desempenho esportivo, estrutura e gestão.
Nos últimos anos, passei a observar com atenção crescente as mudanças financeiras e administrativas dos clubes brasileiros e sul-americanos. Muito do que se discute ainda vem do meio jornalístico ou das informações divulgadas pelos próprios clubes por meio de seus balanços. Ainda assim, ao olhar para os dados disponíveis, é impossível ignorar: o futebol brasileiro passou décadas convivendo com modelos de gestão amadores, personalistas e, em muitos casos, arcaicos.
Durante pelo menos os últimos 35 anos, a administração da maioria dos grandes clubes foi marcada por figuras quase folclóricas: presidentes com perfil de “coronel”, decisões centralizadas, pouca transparência e quase nenhuma visão de longo prazo. Tivemos, é verdade, alguns períodos pontuais de sucesso. O Palmeiras da era Parmalat, nos anos 1990, foi um exemplo de injeção maciça de recursos que trouxe títulos e protagonismo, mas que também mostrou os limites de um modelo excessivamente dependente de um patrocinador. O São Paulo Futebol Clube, por sua vez, construiu um período histórico com três Libertadores e três Mundiais, tornando-se referência esportiva por anos, mas que, com o tempo, se perdeu em más administrações e dificuldades financeiras.
O caso do Cruzeiro, que culminou no colapso de 2019, escancarou para o país o quanto a falta de governança pode levar um gigante esportivo a páginas policiais e a uma crise institucional profunda. Em sentido oposto, o Athlético Paranaense mostrou que era possível ser competitivo com orçamento menor, organização, investimento em estrutura e um estádio moderno capaz de gerar receitas recorrentes. Ainda que tenha perdido força esportiva nos últimos anos, deixou um legado claro de profissionalização.