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A febre da proteína: um novo padrão de consumo está surgindo

Em uma declaração recente, o CEO da rede de supermercados Assaí, Belmiro Gomes, revelou uma mudança significativa no comportamento do consumidor brasileiro: o carrinho de supermercado agora ostenta menos carboidratos e bebidas alcoólicas, dando lugar a uma quantidade notável de produtos ricos em proteína. Segundo ele, este fenômeno está ligado à popularização das canetas emagrecedoras.

Contudo, reforço aqui neste artigo, que esse movimento não é apenas uma tendência passageira, mas sim, um reflexo de uma sociedade cada vez mais obstinada pela saúde e o bem-estar. E essa “febre” por proteínas está, de fato, redesenhando o cenário do consumo no país, forçando indústrias a se adaptarem rapidamente. Vejamos alguns exemplos:

Fast-food

O McDonald’s, por exemplo, está testando um menu focado em usuários de medicamentos como o Ozempic, oferecendo porções menores, com menos açúcar e alto teor de proteína. Exemplos incluem nuggets de frango grelhado e wraps de couve-flor. O Subway não ficou para trás, firmando uma parceria com o influenciador fitness Ramon Dino para lançar um lanche de frango com 40g de proteína e menos de 500 calorias, mirando diretamente no público que busca opções nutritivas e convenientes.

Bebidas

O segmento de bebidas também está passando por uma revolução proteica e funcional. Marcas tradicionais como o Guaraná agora oferecem versões com fibras, enquanto a Coca-Cola inova com opções sem açúcar, sem calorias e sem cafeína. A Mamba Water lançou uma água com até 20g de proteína. A Nespresso lançou uma linha de cafés funcionais enriquecidos com vitaminas. Além disso, bebidas prontas com proteína, como o YoPro da Danone, são cada vez mais comuns nas gôndolas.

Snacks e doces

O Doritos Protein surgiu como uma linha de salgadinhos que entrega 10g de proteína por porção. Balas Gummies, antes apenas doces, agora são encontradas com adição de proteína e creatina, transformando o prazer em funcionalidade. O pirulito Ticky, da influenciadora Antonella Braga, é sem açúcar e promete até reduzir a dependência de cigarros eletrônicos. A linha soul good da Kopenhagen traz chocolates saudáveis sem açúcar e sem lactose, enquanto a Cacau Show lançou seu whey choc com quase 10g de proteína.

Suplementação virou sobremesa

A proteína se tornou um ingrediente versátil e saboroso. O cantor Bell Marques lançou o suplemento “100% Você”. O whey protein, antes restrito a atletas, virou praticamente uma sobremesa, com collabs inusitadas com marcas como Toddy, Snickers, Fini ou M&Ms, tornando o consumo de proteína uma experiência divertida e gostosa.

E as oportunidades para os gestores de academias?

Esse é o momento ideal para surfar essa tendência e oferecer mais valor agregado aos seus alunos. Algumas sugestões práticas incluem:

  • Parceria com marcas de suplementos e alimentos funcionais para oferecer sua própria linha de produtos exclusivos.
  • Criar um espaço de conveniência dentro da academia, com um menu focado em shakes, lanches e refeições ricas em proteína.
  • Oferecer serviços de consultoria nutricional com foco na ingestão proteica e na alimentação complementar aos treinos, com nutricionistas especializados.
  • Implantar vending machines com produtos proteicos, como barrinhas, bebidas e snacks saudáveis.
  • Parceria estratégica com médicos especializados em tratamento com canetas emagrecedoras, tornando a academia uma extensão do consultório.

A febre da proteína não é apenas uma moda, mas uma transformação profunda nos hábitos de consumo. Aqueles que souberem identificar e capitalizar essa mudança estarão à frente no mercado, oferecendo soluções que atendam às novas demandas de um consumidor cada vez mais preocupado com a saúde e a nutrição.