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As lições dos três porquinhos para o seu time comercial

Colunista: Roberto Salomão

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Outubro chegou e, com ele, o Dia das Crianças nos lembra que as melhores lições de vida muitas vezes vêm de histórias simples que são contadas na infância, mas que só entendemos de verdade quando adultos.

E se eu dissesse que um dos maiores manuais de vendas já escritos é a história dos Três Porquinhos?

Nos últimos 17 anos, auditando equipes comerciais de academias por todo o Brasil, encontrei esses três porquinhos em praticamente todas as recepções e salas de vendas que visitei. E o lobo mau também sempre esteve por perto (e ainda está!).

A mamãe porquinho

Nessa clássica história, antes de qualquer casa ser construída, a mamãe porquinho toma a decisão mais importante de “despedir” os filhos e orientá-los a construir suas próprias casas. Ela não constrói por eles, mas define o momento e o propósito.

Na academia, esse papel é da gestão comercial. O dono ou gerente que apenas “manda vender” colhe casas de palha. O que treina, cobra e valida um padrão de qualidade na venda colhe casas de tijolos. A pergunta que todo gestor precisa fazer não é “quantas matrículas você fechou?”, e sim “como você construiu essa venda?”.

O porquinho da casa de palha

O primeiro porquinho queria terminar logo para voltar a brincar. Ergueu sua casa em horas, com o material mais fácil de encontrar. Funcionou, até o lobo aparecer.

O vendedor de palha é aquele que empurra o plano mais barato no balcão, recita o preço e, pasmem, às vezes nem pede a vende. Se conseguir vender, é porque o cliente já veio comprado. Seu processo não tem fundação, pois não investigou a dor do aluno, não entendeu o objetivo e não construiu valor. Quando o lobo assopra (e ele sempre assopra), a casa desaba.

O lobo mau

O lobo, aqui, é representado pela força do seu sopro. E ele tem três sopros bem fortes e conhecidos. O sopro da concorrência, que é aquela academia que abre do outro lado da rua com preço menor e que leva o aluno mal fidelizado em semanas. O sopro da sazonalidade, uma vez que janeiro passa, o verão vai embora, e o aluno “de palha” cancela na primeira dificuldade. E o sopro da objeção, ou seja, um simples “achei caro” que derruba em segundos o vendedor que não construiu valor antes de apresentar o preço.

O porquinho da casa de madeira

O segundo porquinho trabalhou um pouco mais. Sua casa de madeira resistiu ao primeiro sopro, mas não ao segundo.

Esse é o vendedor mediano, muito comum no mercado fitness. Ele faz o follow-up, usa o script e menciona alguns benefícios. É melhor que o de palha, os resultados aparecem, mas a venda dele ainda é genérica. Apresenta o mesmo discurso para o executivo estressado, para a mãe que busca saúde para os filhos e para o idoso que precisa de movimento. Quando o cliente traz uma objeção real, como “não tenho tempo” ou “já tentei e desisti”, a madeira range e cede. Ele responde com mais desconto e esse é o reconhecimento de que a casa era fraca.

O porquinho da casa de tijolos

O terceiro porquinho foi zombado pelos irmãos, que foram brincar rapidamente, enquanto ele carregava tijolo por tijolo, misturava o cimento e esperava a estrutura assentar. Trabalhou mais, levou mais tempo, mas quando o lobo soprou, soprou e soprou… a casa ficou de pé.

O vendedor consultivo é assim. Ele não abre com preço, abre com perguntas. Quer saber porque o aluno quer voltar a treinar, o que já tentou antes, o que o fez desistir da última academia. Ele entende que matrícula não é transação e, sim, o início de uma jornada de transformação. Cada pergunta é um tijolo e cada demonstração de cuidado é cimento na fundação.

Quando o lobo assopra com “achei caro”, o vendedor de tijolos responde com “eu te entendo, mas achou caro em relação a quê? Ao seu objetivo de saúde ou ao que você já gastou tentando sozinho?”. A casa não balança. Quando assopra com a concorrência mais barata, o aluno responde por ele: “lá é mais barato, mas aqui é diferente”, porque o valor construído fala mais alto que o preço.

Notem que, ao final, o porquinho sábio acolhe os irmãos dentro da casa de tijolos. O vendedor consultivo não vence sozinho, mas eleva o padrão da equipe toda. Ele vira referência, treina os novatos e mostra o caminho.

Então, a pergunta que deixo para você, gestor, é a mesma que a mamãe porquinho fez aos filhos: que casa sua equipe está construindo hoje?

Olhe para os seus números com honestidade. Se sua academia depende de promoções agressivas para matricular e convive com evasão alta nos primeiros meses, você tem uma recepção cheia de casas de palha. Se as vendas acontecem, mas o aluno não renova, são casas de madeira. Se você tem alunos que ficam anos, indicam amigos e defendem sua marca, aí sim, há vendedores de tijolos no seu time.

A boa notícia é que ninguém nasce porquinho de tijolos. Vende-se palha por falta de método e madeira por falta de treinamento. O papel da gestão (a mamãe porquinho) é justamente transformar o time, definindo o padrão, treinando as perguntas certas e cobrando a construção de valor antes do preço.

Neste mês das crianças, resgate as histórias que nos ensinaram tanto. E lembre-se que o lobo vai assoprar. A concorrência vai abrir do lado, o verão vai passar e o cliente vai dizer que é caro. Quando o lobo soprar, a casa do seu vendedor vai aguentar ou vai ceder?

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