É importante que o professor de atividades aquáticas faça uma entrevista (anamnese), presencial ou virtual, com cada aluno antes de matriculá-lo nas aulas, para que se tenha parâmetros de saúde do aluno, visto que se trata de uma pessoa estranha, na maioria das vezes e não se sabe nada sobre ele.

De fato, para se conhecer o aluno iniciante é necessário que, no primeiro contato com ele, seja feita uma anamnese, termo que vem do grego aná (trazer de novo) e mnesis (memória). Ela é parte importante que envolve a relação inicial de confiança entre professor e aluno, visto que é realizada pelo profissional de Educação Física que irá ministrar as aulas e tem o objetivo de colher dados sobre atividade física anteriores, história de doenças familiares, eventos cardiovasculares relacionados à prática de esportes e o seu estado de saúde (se faz uso de algum remédio, se já fez cirurgia, se sente alguma dor, se tem pressão alta, se é cardíaco, se teve Covid-19 etc) que podem implicar no exercício aquático caso não seja esclarecido previamente e sobretudo, relembrar todos os fatos a fim de ajudar na avaliação diagnóstica. Após a anamnese, utiliza-se o teste de primeiro dia de aula que é o teste de nível de aquacidade, seja para hidroginástica + segura ou para natação + segura.

O Conselho Regional de Educação Física da 1ª Região (CREF 1) recomenda o uso de ficha de anamnese adulta para os clientes/alunos, mas na prática, ainda são poucos os locais que fazem anamnese nos alunos de atividades aquáticas. A anamnese não é feita com 100% dos alunos de natação e hidroginástica; em muitos casos, é solicitado apenas atestado dermatológico para uso da piscina. Percebe-se que, diferentemente dos médicos que fazem entrevista inicial com o indivíduo e arquivam para posteriormente comparar, muitos professores não detêm o documento de anamnese e os que o têm não usam para monitoramento de desempenho do aluno. Pesquisa feita no início de 2020, com 97 professores de atividades aquáticas, teve o objetivo de verificar se no local onde eles trabalhavam era feita anamnese com alunos iniciantes: verificou-se que 68% dos estabelecimentos utilizam anamnese na natação e 71,1% na hidroginástica; nota-se que 3 em cada 10 alunos não expôs seu histórico de vida para os professores.

Dada a variedade de perfis de alunos (jovem, adulto, idoso, atletas, gestantes) e de possíveis doenças (câncer, pneumonia, bronquite crônica, infecção urinária, diabetes, osteoporose, insuficiência cardíaca e a contemporânea Covid-19) que estes alunos possam ter ao chegarem para iniciar a atividade aquática, faz-se necessário, nos dias atuais, que o professor de Educação Física, ao receber o aluno novo, forneça a anamnese para ele. Cabe ao professor disponibilizar a entrevista e ter o máximo de empatia com as informações deste futuro aluno/cliente, para que ele receba o serviço mais adequado possível e não venha a sofrer danos ou agravo por desconhecimento do professor.

De fato, como mencionado, os alunos podem chegar para iniciar uma aula de natação e hidroginástica e possuir restrições que necessitam ser averiguadas, por isso, em alguns casos, o aluno só poderá iniciar a aula mediante liberação do médico que lhe acompanhou nos últimos meses. 

Clique no botão abaixo para acessar um exemplo de anamnese para natação e hidroginástica. Lembrando que cabe ao professor de Educação Física elaborar uma anamnese que seja aplicável à realidade de seus alunos.

A última pergunta da anamnese se refere à autoavaliação do estado de saúde, que é considerada um indicador válido e relevante da percepção de saúde de indivíduos e de populações. Esse indicador tem se revelado fortemente correlacionado com medidas objetivas de morbidade e de uso de serviços, constituindo-se em preditor poderoso de mortalidade, independentemente de outros fatores. A autoavaliação da saúde capta, além da exposição a doenças (diagnosticadas ou não por profissional de saúde), o impacto que essas doenças geram no bem-estar físico, mental e social dos indivíduos.

Como medida preventiva, o professor pode indicar que o aluno que tem uma percepção negativa de saúde (muito ruim e ruim) procure um médico e só inicie a atividade física após estar apto pelo médico. Ademais, o professor pode usar o resultado do estado de saúde para monitorar o aluno no decorrer do ano. Sempre fazendo comparação com ele mesmo, em relação ao dia de início na aula de atividades aquáticas.

O melhor é quando o aluno candidato à prática de natação e hidroginástica em nível moderado/elevado de intensidade, seja submetido à exame médico que permita detecção de fatores de risco, sinais e sintomas sugestivos de doenças cardiovasculares, pulmonares, metabólicas ou do aparelho locomotor que sejam incompatíveis com a realização de determinados tipos de exercício, pois segundo a Sociedade Brasileira de Medicina do Exercício e do Esporte, a avaliação pré participação pode ajudar a reduzir a morte súbita cardíaca em indivíduos.

Entretanto, quando uma pessoa vai iniciar um esporte, normalmente, os estabelecimentos não exigem atestado médico constando que a pessoa está apta para a prática de atividade física. Além disso, muitos professores não se preocupam em exigir atestado e alunos também evitam ir ao médico.
O professor pode criar anamneses específicas para um perfil de aluno, por exemplo, para gestante. Neste caso, enfatizar perguntas sobre gestações anteriores, peso antes da gestação, medicamentos, liberação médica, contato do médico, se praticava esportes antes, ameaça de aborto e data provável do parto. Uma ferramenta interessante e fácil, basta utilizar da fórmula a seguir para saber a data provável do parto: ao dia do início da última menstruação, adicionamos o número 7, e do número do mês subtraímos 3, ou seja, para uma mulher que teve sua última menstruação dia 13 de setembro (13/9), temos: (13+7=20; 9-3=6). Portanto, a data provável do parto é 20/6.

O profissional de Educação Física deve fazer entrevista com a gestante para diagnosticar qualquer contraindicação à realização de aulas de natação e hidroginástica. Ao utilizar da mesma ferramenta que o médico utiliza, o professor poderá fazer um planejamento das aulas e, então, acompanhar durante toda a gestação de acordo com o mês e semana em que a gestante está.

O professor que trabalha com gestante na água, deve estar apto a, durante as aulas, dialogar e preparar a futura mamãe para lidar com o bebê. A comunicação com empatia e paciência são fatores primordiais de quem se propõe a trabalhar com este segmento da população. Importante lembrar que o professor de atividades aquáticas que deseja trabalhar com gestante deve fazer, também, um acompanhamento das seguintes alterações da aluna durante a gestação:

  • afrouxamento dos ligamentos;
  • aumento dos seios e sensibilidade;
  • má circulação;
  • crescimento do útero;
  • dificuldade de locomoção;
  • diminuição do domínio do aparelho locomotor;
  • dores localizadas e lombares;
  • estética alterada;
  • pés e mãos inchados;
  • pés e mãos inchados;
  • risco de formação de varizes.

O principal objetivo do professor ao utilizar a anamnese antes de iniciar uma atividade física é poder, por meio da empatia, se colocar no lugar do aluno e ao saber das suas necessidade e objetivos, trabalhar na natação e/ou hidroginástica para atendê-los com muito amor e cuidado. O aluno novo é como presente que se recebe embrulhado e você precisa abrir aos poucos, desembrulhar com cuidado para conhecer o que tem dentro, não danificar o produto, não destruir a embalagem e manter a validade por mais tempo possível. Mesmo que o presente recebido, às vezes, não seja o que gostaria de receber, saiba que ele é o que você tem neste momento presente. Com o passar do tempo, conhecerás mais do que pode fazer com o presente e, então, você é quem passará a ser presente na vida dele e ele irá lhe agradecer por ter sido presente.

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