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Você conhece o semáforo aquático?

Colunista: Marcelo Barros de Vasconcellos

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Assim como as cores dos sinais de trânsito constituem uma linguagem universal de comunicação, compreendida por quase todos e desempenhando papel fundamental na segurança do tráfego nas vias públicas, espera-se que as placas de prevenção de afogamento se tornem, futuramente, globais na segurança de qualquer ambiente aquático.

Para que isso ocorra, deve haver padronização na comunicação nas escolas de natação, para que as mensagens possam promover comportamentos seguros¹. A não identificação correta de uma placa torna o ambiente aquático aparentemente menos hostil e perigoso, levando os indivíduos a ignorarem sinalizações de risco, o que pode causar danos.

O ensino de símbolos de prevenção é especialmente importante nos anos iniciais, pois crianças aprendem a interpretá-los antes da alfabetização completa².

O projeto Natação + Segura, criado e desenvolvido por pesquisador da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, foca o ensino em três pilares de conteúdos: conceituais, atitudinais e procedimentais. O trabalho sobre as bandeiras está inserido nos conteúdos das aulas de natação, com abordagens conceituais. Durante alguns momentos pontuais das aulas práticas, os alunos vivenciam dinâmicas para aprender sobre as cores das bandeiras usadas nas praias.

Figura 1. Semáforo aquático

A bandeira verde indica que o local está “aberto” para banho; contudo, nenhum ambiente aquático é totalmente seguro. Por essa razão, a vigilância sobre crianças na água é indispensável, devendo elas permanecer sempre sob supervisão. A criança faz parte de um grupo particularmente vulnerável, tanto pela capacidade ainda limitada de avaliar riscos² quanto pelo desenvolvimento insuficiente das habilidades de natação, o que compromete sua autonomia em ambientes aquáticos³.

Conscientizar sobre a bandeira amarela, por sua vez, é importante porque, de forma análoga ao sinal de trânsito, ela indica “atenção”. No entanto, algumas pessoas interpretam erroneamente a bandeira amarela como indicativa de áreas privadas de natação⁴.

Já a bandeira vermelha indica “pare imediatamente” e, nesse contexto, pode ser utilizada para impedir a utilização para nadar ou mergulhar², pela associação ao perigo⁴. Identificá-la e conhecê-la é essencial, pois, na praia, serve para evitar que jovens se exponham a riscos quando as condições do mar não são favoráveis. Ela pode, inclusive, sinalizar a presença de ondas, correntes e outros fatores perigosos, sendo contraindicada para todos os nadadores. Ademais, conhecer um risco e não o prevenir caracteriza negligência, não acidente⁵.

Embora as causas do afogamento sejam numerosas e complexas, sua prevenção pode ser alcançada por meio da combinação de ações simples e viáveis¹, que ensinem o significado correto das bandeiras e placas⁶, por exemplo. Esse ensino deve ser bem orientado, garantindo aprendizado e retenção a médio prazo⁷, com conscientização contínua para alcançar eficácia⁸.

As melhorias encontradas por pesquisadores da UERJ, após cinco anos de acompanhamento com escolares, mostraram que a prevalência de acerto dos alunos em relação ao significado das bandeiras verde, amarela e vermelha foi de 99%, 99% e 100%, respectivamente⁹. “Esses achados são estímulos para continuar a ensinar comportamentos adequados ao meio aquático seguro”.

Ensine também seus alunos a interpretar as placas e bandeiras³, para que adotem comportamentos corretos em relação a cada tipo de sinalização.

Figura 2. COmo trabalhar o semáforo aquático nas aulas de natação (gerada por IA)

Ao final da aula, o professor solicitou que os alunos representassem, por meio de um desenho, os conhecimentos adquiridos sobre o significado das cores utilizadas nas bandeiras e sinalizações de segurança aquática. A Figura 2 apresenta a produção de um dos alunos, na qual é possível observar a compreensão dos conceitos trabalhados durante a atividade.

O aluno Thiago demonstrou compreensão dos conceitos de segurança aquática ao elaborar o mapa da piscina. Ao aprender que a placa amarela representa um símbolo de alerta, ele identificou toda a área ao redor da piscina como um local que requer atenção, devido ao risco de escorregões.

     Também compreendeu a importância do guarda-vidas na prevenção de acidentes, representando-o corretamente em uma cadeira elevada, posição que possibilita ampla visão de toda a piscina e facilita a supervisão dos banhistas.

     Além disso, Thiago associou adequadamente as cores de segurança aos diferentes ambientes da piscina. A cor verde foi utilizada para representar a área segura, localizada na parte rasa, onde os usuários apresentam maior controle e menor risco. A cor amarela foi empregada para indicar a área de atenção e cuidado, correspondente à zona de transição entre a parte rasa e a parte funda da piscina. Já a cor vermelha, associada ao perigo, foi utilizada para identificar a área funda, demonstrando que o aluno reconhece os locais que exigem maior vigilância e habilidade aquática.

     A atividade evidencia que Thiago compreendeu a relação entre as cores de segurança, os níveis de risco presentes no ambiente aquático e a função preventiva do guarda-vidas na proteção dos usuários.

Referências

  1. Peden AE, Passmore J, Queiroga AC, Sweeney R, Jagnoor J. (2022). Closing the gap for drowning prevention across Europe. Lancet Public Health. Sep;7(9):e728-e729.
  2. Vasconcellos MB, Macedo FC, Silva C, Blant GO, Sobral IMS, Viana, L.C.A. (2022). Segurança aquática: teste de conhecimento preventivo de afogamento usado nas aulas de natação para prevenir o afogamento. Brazilian Journal of Health Review, Curitiba, 5(6):24304-24324.
  3. Pino LP, Furelos RB, Martínez ML, Núñez AR. (2023a) Drowning prevention through school health education. Evaluation of the SOS 112 pilot project. Rev Esp Salud Publica. Jun 30;97:e202306057.
  4. Woods M, Koon W, Brander RW. (2022). Identifying risk factors and implications for beach drowning prevention amongst an Australian multicultural community. PLoS One. Jan 11;17(1):e0262175.
  5. Barros M, Cano F. (2022). Partilha de negligência em contextos aquáticos. AIDEA. http://asociacionaidea.com/recursos/recursos-pedagogicos/.
  6. Vasconcellos MB, Blant GO (2025). The Attitudinal Dimension of Swimming Lessons for Preventing Drowning in the Aquatic Environment. Biomedical Journal of Scientific & Technical Research, v. 64, p. 56204-56208.
  7. Vasconcellos MB, Blant GO, Michel CC, Diogo EVF. (2025). Acompanhamento longitudinal no quadriênio 2022-25 do nível de conhecimento preventivo de afogamento (NCPA) de escolares do Rio de Janeiro, Brasil. Aracê, [S. l.], v. 7, n. 3, p. 15531–59.
  8. Rivera JF, Salgado JG. Drowning Prevention and Management: Reflection on Evidence and Strategies. Aten Primaria. 2026 Jan;58(1):103419.
  9. Vasconcellos MB, Blant GO, Fontoura LSR, Edra FPM. (2026). Quinquênio de monitoramento longitudinal do nível de conhecimento preventivo de afogamento conceitual e atitudinal em escolares do rio de janeiro, brasil, 2022-26. Revista de geopolítica, 17(4), e2063.

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